INCÊNDIOS – Depois da visita a Penacova, CNA diz que agricultura ficou mais fragilizada e floresta com mais riscos

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Na parte
agrícola, o drama persiste
“, afirma o membro da direção do CNA João
Dinis, que falava à agência Lusa após uma visita realizada ontem a uma zona
fortemente afetada pelos fogos de outubro, em Penacova, distrito de Coimbra.

João Dinis sublinha que há muitos pequenos agricultores
que ficaram excluídos do processo de apoio outros tantos que receberam cortes
nos apoios até cinco mil euros e, nas candidaturas de maior valor, já se
contabilizam “dezenas de desistências”, face aos apoios concedidos.

Os cortes
aplicados nas candidaturas e as complicações nos processos têm levado a
desistências. São pessoas que perderam os seus rendimentos e não têm capacidade
financeira para garantir
” a sua parte para pagar a reposição do que
perderam, explica.

Para além disso, nota, ainda há candidaturas que foram
reformuladas que continuam à espera de uma decisão por parte do Ministério da
Agricultura.

Segundo João Dinis, a forma como o processo foi
conduzido, com cortes nos apoios e uma diferença de tratamento em relação ao
apoio às empresas, leva os agricultores a saírem de atividade, num setor por si
só já fragilizado.

A somar a um abandono das terras, o dirigente da CNA
sublinha que “grande parte da
madeira ardida permanece ao alto, nas matas
” e os pinhais que não
arderam estão a morrer vítimas de pragas.

A floresta
hoje está pior do que estava a seguir ao fogo. Sem agricultura, com uma
floresta desacompanhada, estão agora a ser plantados os próximos grandes
incêndios da nossa região
“, protestou.

Durante a visita realizada hoje à tarde, a CNA também
constatou que o processo de reconstrução das primeiras habitações está muito
atrasado.

Falámos com
pessoas que vão passar o segundo natal sem terem a sua casa reconstruída.
Pudemos constatar realidades que contrariam e desmentem a propaganda oficial.
Lamentavelmente, as habitações ardidas estão por reconstruir
“,
criticou.

Um ano depois, a região está “sem árvores, sem casas reconstruídas e com a agricultura ainda mais
fragilizada
“, resumiu João Dinis.

Mais de 100 pessoas morreram o ano passado nos incêndios
que atingiram a região Centro, em junho e outubro, que provocaram ainda a
destruição de centenas de habitações e dezenas de empresas.


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