SAÚDE – Investigadores da Universidade de Coimbra desenvolvem colete inovador para monitorização contínua da DPOC

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Nove investigadores da Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integram um consórcio
europeu que desenvolveu um colete
inovador para monitorização contínua da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
(DPOC),
uma doença que, segundo previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2030 será a quarta causa de morte e a
sétima de morbilidade no mundo
.
Desenvolvido ao longo dos últimos
quatro anos, o projeto WELCOME,
acrónimo de Wearable Sensing and Smart
Cloud Computing for Integrated Care to COPD Patients with Comorbidities
,
teve como grande objetivo desenvolver um
sistema tecnológico que mude o paradigma no tratamento e acompanhamento dos
pacientes que sofrem de DPOC com comorbilidades
(designadamente
insuficiência cardíaca, ansiedade, depressão e diabetes), apostando na designada Medicina P4 – preditiva, preventiva, personalizada e participativa.
Com um financiamento de seis milhões
de euros do programa FP7 da União Europeia, o consórcio que envolve também
pneumologistas, terapeutas respiratórios e farmacêuticos, bem como a indústria,
conseguiu, pela primeira vez, produzir
um colete que incorporasse um sistema de tomografia de impedância elétrica
,
equipamento que permite obter, de forma não invasiva, imagens dos pulmões
geradas através da passagem de uma corrente elétrica.
«Esta
foi a grande inovação do projeto, mas o colete – que é apenas uma parte da
solução tecnológica desenvolvida – integra tecnologia diversa, concretamente um
vasto conjunto de diferentes tipos de sensores para monitorização contínua de
sinais fisiológicos (eletrocardiograma, saturação de oxigénio, sons
respiratórios, frequência respiratória e atividade física)
», descreve Rui
Pedro Paiva, docente do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC e
coordenador da equipa portuguesa.
«O
WELCOME Vest efetua a aquisição em tempo real de um imenso volume de dados
muito díspares e envia-os para um dispositivo do paciente (tablet ou
smartphone), onde é realizado o pré-processamento da informação recolhida para
validar a sua qualidade. Também no tablet, o paciente dispõe de uma aplicação
com um conjunto de tarefas a realizar pelo próprio, tais como resposta a questionários
de fadiga, medição de pressão arterial, pesagem ou visualização de vídeos
(in)formativos
», esclarece.
Concluída esta pré-validação, os dados
são remetidos para uma “central de informação” instalada na Cloud (computação na nuvem), onde se
encontram todos os algoritmos desenvolvidos pelos cientistas do consórcio, «para o processamento dos diferentes tipos
de informação que permita traçar o quadro do paciente e prever exacerbações
(episódios de agravamento da doença), fornecendo ao médico, através de um
sistema inteligente de apoio à decisão, informação que possibilite atuar
atempadamente, evitando internamentos e atuando ao nível da prevenção e
mitigação das comorbilidades da DPOC
», realça o investigador.
Embora o sistema seja muito complexo
do ponto de vista tecnológico – em que o ponto crítico foi a integração das
várias tecnologias no Welcome vest – é relativamente simples de utilizar: «as provas de conceito correram bastante
bem, nos testes efetuados com pacientes, onde foi analisada a usabilidade da
solução tecnológica, o colete foi considerado confortável e fácil de usar
»,
afirma Rui Pedro Paiva.
De acordo com o especialista em
informática clínica, esta solução tecnológica «terá um impacto socioeconómico muito elevado não só na qualidade de
vida e conforto do doente, mas também nos sistemas de saúde. Apostamos numa
abordagem proativa e centrada no paciente, visando a deteção precoce de
complicações
Comprovado o conceito, a investigação
vai agora centrar-se na melhoria da robustez e fiabilidade do sistema
tecnológico. A União Europeia aprovou já um financiamento de quatro milhões de euros no âmbito do
programa H2020 para que a investigação prossiga.