INVESTIGAÇÃO – Utilizar bactérias e fungos para tornar as plantas resilientes às Alterações Climáticas

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O recurso a bactérias e fungos para aumentar a
resiliência das plantas às alterações climáticas e reduzir o uso de
agroquímicos está a ser estudado e testado, com “resultados promissores”, por uma investigadora em Coimbra.

A investigadora do Centro de Ecologia Funcional da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) Inês
Rocha desenvolveu e testou “um método
simples que usa bactérias e fungos, em separado ou de forma combinada, para
aumentar a resiliência das plantas às alterações climáticas e, em simultâneo,
reduzir o uso de agroquímicos
”, anunciou esta terça-feira aquela faculdade.

O método, desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento
de Inês Rocha, orientada por Rui Oliveira, consiste essencialmente em “inocular
plantas com bactérias presentes na rizosfera (na zona da raiz) e fungos
micorrízicos
”, explica a FCTUC, numa nota enviada esta terça-feira à agência
Lusa.

Estes dois tipos
de micro-organismos possuem diferentes mecanismos de ação direta na planta
”,
através, designadamente, da absorção de nutrientes e do fornecimento de água ou
por ação indireta (protegendo a planta de pragas ou melhorando a estrutura do
solo, por exemplo).

O processo de inoculação traduz-se por “incorporar micro-organismos que promovam o
crescimento das plantas de uma forma mais resistente, permitindo a sua
sobrevivência independentemente da degradação ambiental
”, refere a FCTUT.

Até obter uma “fórmula
eficiente e sustentável
” — sublinha a FCTUC –, este estudo compreendeu
várias fases, entre as quais a “identificação
de micro-organismos promotores de crescimento vegetal em culturas agrícolas e a
seleção de fungos e bactérias com o potencial mais elevado para garantir o
sucesso do método
”. Os resultados obtidos até agora “são promissores, demonstrando vantagens na aplicação do método
desenvolvido
”, afirma Inês Rocha.

Nos ensaios de
avaliação do stress hídrico, as bactérias tiveram um efeito positivo no
rendimento da cultura e os fungos foram responsáveis pelo aumento da absorção
de nutrientes
”, acrescenta a investigadora, citada pela FCTUC.

Já nos testes de fertilização, em que as plantas
inoculadas foram cultivadas com quantidades reduzidas de fertilizantes
químicos, verificou-se “um aumento de
biomassa e de nutrientes
”, revela a mesma nota da FCTUC, adiantando que “a próxima fase passa por avaliar o
comportamento das plantas em cultivo ao ar livre, em campos agrícolas
”.

Com o problema das alterações climáticas, “esta abordagem apresenta-se como uma
solução eficiente e de baixo custo para promover uma agricultura sustentável
através da redução do uso de agroquímicos e do aumento da sobrevivência das
plantas face a stresses ambientais, como os problemas das secas, inundações e
salinização dos solos
”, sublinha a investigadora da FCTUC.
O projeto, iniciado em 2015, é financiado pela Fundação
para a Ciência e a Tecnologia.