ECONOMIA – Portugal pode ser o maior produtor mundial de medronho

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Os avanços da investigação
científica do medronho podem projetar Portugal como o maior produtor mundial
deste fruto silvestre nos próximos anos, disse hoje o presidente da Cooperativa
Portuguesa do Medronho (CPM).
José Martins, proprietário da Lenda da Beira
Portugal pode tornar-se o primeiro produtor
de medronho a nível mundial
“, afirmou.
O
biólogo e presidente da CPM falava no contexto da sua participação no III
Encontro do Medronho e do Medronheiro
, que se realiza em Signo Samo, concelho
da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, no dia 08 de dezembro.
Com
sede em Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco, a Cooperativa Portuguesa do
Medronho representa “produtores que
já têm 200 hectares de medronhal instalados, principalmente no Centro do país
“,
salientou.
Nestas
explorações, incluindo algumas zonas de crescimento espontâneo da espécie
arbustiva da flora mediterrânica, poderão ser colhidas no futuro 500 toneladas
do fruto silvestre por ano, logo que a produção “esteja em velocidade de cruzeiro“, segundo Carlos Fonseca.
José
Martins, que organiza o encontro pelo terceiro ano consecutivo na sua aldeia
natal, Signo Samo, possui medronhais que totalizam uma área de 50 hectares.
O
criador da marca “Lenda da Beira“,
que aposta na produção de aguardente de medronho, azeite e outros produtos
endógenos, disse à Lusa que 178 pessoas estão inscritas no encontro, a que
deverão juntar-se outras durante o programa.
Na
sua opinião, importa “motivar os
presentes e partilhar algum conhecimento
“.
Membro
da CPM, José Martins “é o maior
produtor de medronho da região Centro
“, sublinhou Carlos Fonseca.
Depois
da destruição causada pelos grandes incêndios de 2017, a valorização do fruto e
o incremento da plantação de medronheiros representam “uma parte da solução” para os
territórios do Interior.
O
medronheiro é uma espécie autóctone da Península Ibérica e da bacia do
Mediterrâneo, “muito resistente ao
fogo
” e com grande capacidade de regeneração, realçou o investigador
da Universidade de Aveiro, dono de medronhais que totalizam 20 hectares, nas
margens do rio Alva, no município de Penacova.
Em
2017, as suas plantações foram parcialmente queimadas, tal como aconteceu com
grande parte dos produtores
na região.
Portugal está na vanguarda da investigação
do medronho a nível mundial. Mas podemos ir mais além
“, referiu.
Em
poucos anos, “há aqui um olhar
diferente para esta espécie nativa
“, com uma dezena de instituições
universitárias “a dedicar-se
bastante a esta causa e em busca de novas aplicações
“, tanto para o
fruto, como para os resíduos lenhosos da poda, disse Carlos Fonseca.
Ainda não temos produto suficiente para
todas as aplicações
“, mas, na investigação, Portugal está mais
avançado do que países como Espanha e França, entre outros, “que ainda não despertaram” para o
valor económico do medronheiro.
O
presidente da CPM estima que 95% da área de medronhal queimada pelos incêndios
de 2017 conseguiu regenerar-se e verifica-se nalguns casos que as plantas
floriram este ano.
Otimista,
Carlos Fonseca prevê que alguns medronheiros voltem a frutificar já em 2019.
A maioria rebentou e dentro de três ou
quatro anos estarão a produzir
“, disse, por sua vez, José Martins.
O
encontro é apoiado pela Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC), Câmara da
Pampilhosa da Serra e Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro.



Saiba mais sobre as potencialidades do medronho.