Ser Bombeiro é o quê, afinal?

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Hoje
tenho tido a sorte de estar em minha casa, trabalhando num processo que merece
algum recato.

E,
por isso mesmo, tenho visto alguns flashes de televisão: com mulheres e homens
fardados de preto, de vermelho ou de cor de laranja!

Manifestam-se
no centro do poder, em Lisboa, na Praça do Comércio, entre os Ministérios e a
Câmara Municipal.

Querem
um estatuto que lhes dignifique a profissão; um reconhecimento que lhes tem
fugido da mão…


muitos anos eu já tive o prazer de ser bombeiro; já dei parte de mim à
população; já dormi acordado encostado ao pinheiro; já provei o calor do fogo;
já cuspi fuligem…e já percebi – e senti na pele – que enquanto podemos dar algo
somos bons e reconhecidos e quando deixamos de o poder fazer, ninguém nos liga
nenhuma.

No
meu tempo os nossos bombeiros eram todos voluntários; a corporação dos
Bombeiros Voluntários de Penacova não tinha muito dinheiro, nem havia material
para nós podermos dar mais profissionalismo à nossa dedicação.

Tínhamos
o inigualável Bedford, para nos transportar e combater e a inultrapassável tosta
mista (Wv) para o apoio aos nossos doentes e acidentes.

Também
tínhamos, salvo erro, duas moto-bombas Escol: uma móvel e outra instalada na
viatura.

Os
tempos evoluíram muito desde os finais dos anos 60!

Hoje,
aquela que ainda considero a minha corporação, dá cartas por esse país fora; tem
um Corpo Activo de gabarito e uma Direcção que se esmera na arte do bem gerir.

E
está de parabéns por tudo isso.

Mas,
infelizmente, os seus Membros estão tristes pela rudez com que este mundo
incauto trata aquilo que já é uma classe profissional que devia merecer a vénia
de uma outra classe, a política.

De
facto, não se entende, nem se alcança, sinceramente, por que raio se quer
achincalhar esse grupo em tempos considerado de “homens da paz”, tentando
impor-lhes um tratamento absolutamente vergonhoso: nas retribuições; nas
progressões e nas aposentações!

É
tempo de dizer basta!

É
hora de dar dignidade ao Bombeiro e dar-lhe a possibilidade de ele retribuir
com sentimento…e, também, com disponibilidade.

Luís
Pais Amante