INVESTIMENTO – Região de Coimbra desafia autarcas a aproveitar todas as “gavetas” que a Europa lhes abre

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Diversificar as fontes de financiamento, no contexto da
Europa, foi o desafio ontem lançado às autarquias da CIM Região de Coimbra. Os
múltiplos instrumentos e mecanismos financeiros, já à disposição dos agentes de
poder local e regional, foram apresentados na sessão “Investimento na Europa”, que reuniu dezenas de presidentes de
câmara, demais autarcas e técnicos superiores municipais.

A sessão contou com a participação da chefe de
Representação da Comissão Europeia em Portugal. Sofia Colares Alves não escondeu
receios mas deixou sinais de esperança. A responsável lembrou a aprovação, em
maio, de um novo orçamento comunitário plurianual, mas lamentou os bloqueios ao
reforço de verbas – que se mantêm ao nível de 1% do PIB dos países membros.

Ainda assim, Sofia Colares Alves acentuou a ênfase nos
programas Ciência e Inovação e Erasmus, que colocam o foco na competitividade
global. No Ambiente, “houve significativos avanços, designadamente com a
estratégia europeia para os plásticos
“.

Mas o futuro passa por novos mercados únicos, na Energia,
no Digital e, claro, na União Monetária e Bancária, acrescentou. E ainda há
outras áreas “em que é preciso fazer
mais
”. O acesso dos jovens ao primeiro emprego é um exemplo. Sofia Colares
Alves chamou depois a atenção para os riscos de populismos e de xenofobia, à
esquerda e à direita, vindos de estruturas políticas cada vez mais fragmentadas
e que assentam a sua intervenção num discurso anti-europeu – situação já hoje
crítica em alguns países de Leste, que é amplificada por campanhas de
desinformação anti-EU, “organizadas, e pagas, por países terceiros”.

Tendência
é para iniciativas comunitárias

Na sessão de abertura, destaque também para a intervenção
da presidente da CCDRC. Focada no tema da sessão, Ana Abrunhosa deixou claro
que “é hoje fundamental diversificar
as fontes de fi nanciamento, e sublinhou que a região Centro “tem sido exemplar,” nesta matéria. “Há muito tempo que todos percebemos que o
PO Centro não é, nem pode ser, a única fonte de fi nanciamento da economia e
das políticas públicas na região
”, referiu

A tendência futura, por isso, é para dispor de
instrumentos financeiros, alavancados pelo setor bancário – nacional ou
diretamente do BEI –, para apoio direto às contrapartidas nacionais, como já
aconteceu com o fundo Jessica e o IFRRU.

Por fim, Ana Abrunhosa apontou o caminho para os
investimentos do futuro, “cada vez mais
impulsionados por iniciativas comunitárias
”. Há áreas, como segurança comum
ou migrações, mas também o universo digital, que só têm sentido quando
assumidas em conjunto. “Daí a
necessidade de a UE estar cada vez mais próxima dos cidadãos
”, rematou.

Paulo
Marques
– Diário As Beiras