CIÊNCIA VIVA – O céu de março de 2019, o mês do equinócio da primavera

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A presença de Lua à direita de Saturno sinaliza a primeira
madrugada do mês. Esta efeméride repetir-se-á no dia 29.

Na madrugada seguinte a Lua ter-se-á aproximado de Vénus.
Mas ao contrário da efeméride anterior, esta não se repetirá quatro semanas
depois porque, devido ao movimento de translação da Terra, ao final do mês
ambos astros serão vistos mais para leste.

A Lua Nova terá lugar na tarde de dia 6. Na madrugada
seguinte também Neptuno estará na direção do Sol (i.e. em conjugação). Assim,
tal como sucede com a Lua Nova, não será possível vê-lo.

Ao início da noite de dia 7 a Lua cruzar-se-á com Mercúrio.
Mas por estarem numa direção muito próxima da do Sol serão ofuscados por ele.
Aliás, Mercúrio só voltará a ser visível na última semana do mês, já como
estrela da manhã.

Na noite de dia 11 a Lua situar-se-á à esquerda de Marte.
Na noite seguinte a Lua terá chegado à constelação do Touro, com o aglomerado
estelar do Sete-Estrelo (ou Plêiades) à sua direita. Este é um conjunto de
estelas formadas juntas quais “sete irmãs” (outro dos seus nomes).
Dois dias depois (dia 14) ocorre o quarto crescente.

Entre as noites de dia 17 e 18 veremos a Lua deslocar-se da
constelação do Caranguejo (e do seu aglomerado estelar do Presépio) até junto
de Régulo, um sistema estelar múltiplo situado na constelação do Leão.


Às 21 horas e 58 minutos de dia 20 o eixo de rotação da
Terra encontrar-se-á perpendicular à direção do Sol. Em Portugal chamamos a
esta efeméride equinócio da primavera pois a partir deste instante o Sol passa
a ser visto a norte do equador celeste, e passando a iluminar mais o hemisfério
norte terrestre do que o sul, dando assim início à primavera.

Pouco antes das duas horas da madrugada de dia 21 terá
lugar a Lua cheia. Por acontecer apenas um dia e seis horas após a Lua ter
atingido o ponto da sua orbita mais próximo da Terra (o perigeu) dará lugar à
terceira super Lua do ano.

Sendo a primeira Lua Cheia após o equinócio da primavera,
de um ponto de vista astronómico a Páscoa deveria ocorrer no Domingo seguinte
(dia 24). No entanto no calendário eclesiástico o equinócio da primavera
acontece sempre no dia 21 e a Lua Cheia calha no 14º dia de cada mês lunar, os
quais têm exatamente 29 ou 30 dias, e não os 29,27 a 29,83 dias que separam
duas fases da Lua iguais. Tais factos acabam por atirar a Páscoa para o dia 21
de abril.

Na madrugada de dia 27 será a vez de Júpiter ser visitado
pela Lua. Uma madrugada depois terá lugar o quarto minguante.

Para finalizar é importante recordar que à uma hora da
madrugada de dia 31 tem início a hora de verão. Neste instante deveremos
adiantar os nossos relógios 60 minutos. Embora em países localizados a maiores
latitudes a mudança de hora é de pouca utilidade, daí o seu interesse em acabar
com tal sistema, em locais como Portugal tal serve para aproveitar melhor as
horas de sol. Isto é algo que já é feito naturalmente por quem se levanta ao raiar
da aurora.
Boas observações!
Por Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC)
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva