CUIDADOS CONTINUADOS – Reconversão de Lorvão terá “impacto” em toda a região

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Não terminou o curso superior e está noiva há sete anos,
sem perspectiva de quando poderá casar Rita Joana Pinheiro Maia está a caminho
dos 40 anos e há cerca de 20 que é cuidadora informal da mãe. Quando tudo
começou, o irmão mais novo era uma criança e Joana ainda não tinha sequer
entrado na maioridade.
Para tomar ainda mais difícil a situação, o pai é
deficiente de guerra, com 80% de incapacidade, pelo que, foi ela que, desde
cedo, “tomou as rédeas” desta família Neste processo, muitas vezes,
sente que tem sido «votada ao abandono»,
por isso, tem lutado, com determinação, pelo estatuto de cuidador informal.

Membro da Associação Nacional de Cuidadores Informais, Rita
Joana Pinheiro Maia tem perfeita noção da «urgência» em resolver «
o problema da lista de espera» na Rede
Nacional de Cuidados Continuados.

No debate “Saúde
no Centro: mais Cuidados Continuados para melhor futuro
», organizado,
ontem, pelo Movimento +Saúde para o Hospital de Lorvão, Victor Simões, que faz
parte do movimento, reforçou a ideia de que Lorvão «poderia dar um grande impulso» à rede, «com pouco investimento e com impacto abrangente não apenas para Penacova,
mas para toda a região
».

Recorde-se que este movimento de cidadãos considera que a
adaptação do Hospital de Lorvão em unidade de Cuidados Continuados permitirá a
instalação de 130 camas, além de serviços de reabilitação, hospital de dia e
sede de equipas de apoio domiciliário, com custos «amortizáveis em menos de dois anos».

Aliás, referiu Victor Simões, «um dia no hospital é, francamente, mais caro do que uma cama em
Cuidados Continuados
». «Os CC não
estão com capacidade de resposta para os casos referenciados e, se formos aos
lares, encontramos pessoas que estariam melhor nos Cuidados Continuados
»,
continuou.

Destacando também a vertente económica, Eduardo Ferreira,
primeiro subscritor da petição “Mais Saúde para o Hospital de
Lorvão
“, lembrou que as taxas de ocupação em funcionamento «andam todas acima dos 90%».

«Sabemos que as
listas de espera aumentam e que o envelhecimento da população vai fazer
aumentar esta necessidade
», referiu, destacando que «compete ao Estado e ao SNS garantir os cuidados de saúde a todos os
cidadãos, durante toda a sua vida
».

Eduardo Ferreira não tem dúvidas de que é possível «fazer
mais e melhor com menos custos
».

No debate, moderado pelo enfermeiro Amilcar Carvalho,
Armando Carvalho, director do Serviço de Medicina interna do CHUC, defendeu a
necessidade de cuidados integrados, manifestando apoio «aos que lutam pela saúde e pelo 
aproveitamento de espaços».

Envelhecimento
solitário e com baixo poder de compra

Em Portugal, 54% da população com mais 65 anos vive sozinha.
A média da União Europeia é de 41%, num ranking em que apenas a Croácia está
acima de Portugal. A solidão é uma condição de vida de muitos seniores
portugueses, alertou António Martins, professor da Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra, acrescentando que, a par desta falta de suporte familiar,
junta-se um reduzido poder de compra.

Numa análise ao índice de envelhecimento do concelho de
Penacova, o professor universitário deu conta de que existem três pessoas
seniores para uma pessoa jovem.
Patrícia
Isabel Silva
– Diário de Coimbra