EN 110 – Descidas do rio Mondego podem ser prejudicadas pelas obras de consolidação da via

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Estrada Nacional 110 (EN 110) entre
Penacova e Coimbra é “essencial ao
turismo da região
” e “não
pode ser ‘cortada’ em plena época alta, pois isso é ‘matar’ a descida do
Mondego em kayak”, afirmam “os seis maiores operadores da descida do
Mondego
“, numa nota enviada hoje à agência Lusa.
Além da descida do Mondego — alertam as seis empresas
— “outros negócios sobrevivem
graças a quem circula naquela estrada, como cafés e restaurantes, ou circuitos
turísticos como os ‘cycling tours’ que recentemente se tornaram mais uma oferta
turística
” naquele troço da EN 110, vulgarmente também conhecido por
estrada da beira-rio, estrada verde ou estrada velha.
Questionada pela agência Lusa, a Infraestruturas de
Portugal (IP) confirma que a segunda fase do “trabalhos de estabilização de taludes na EN 110, em Penacova, com uma
duração prevista de 68 dias
“, tem início na quinta-feira, estimando
que fique “concluída até final do
mês de julho
“.
Durante este período “será implementado o corte total no troço da
EN 110
“, entre os quilómetros 7,1 e 8,6 (povoação do Caneiro),
explicita a IP, sublinhando que a interrupção do trânsito visa “garantir condições de segurança para
automobilistas e trabalhadores da obra
“.
Apesar do corte da via, “estão salvaguardadas condições de passagem de veículos de emergência em
situações de urgência
“, assegura a IP, indicando que “a zona de trabalhos e desvios de trânsito
estão devidamente sinalizados, recomendando-se a utilização do IP3 e EN 17
[Estrada da Beira] como percursos alternativos
“.
A intervenção na via “faz-se com o ‘corte’ de estrada por ser a solução mais barata
tecnicamente, não por ser a única possível
“, sustentam, por seu lado,
os operadores da descida do Mondego.
Mas mesmo
que a interrupção da circulação fosse a única solução, essa decisão faz tanto
sentido nesta altura do ano como promover obras na marginal da Figueira da Foz
no verão ou na estância da Serra da Estrela no inverno: nenhum
“,
afirmam ainda as empresas Caminhos d’Água, Capitão Dureza, Geoaventura,
Pioneiro do Mondego, Sportmargens e Transserrano.
Atualmente,
os autocarros com clientes deslocam-se diretamente do Casal da Misarela [uma
das localidades atravessada pela EN 110, a cerca de seis quilómetros de
Caneiro] para Penacova, numa viagem de cerca de 20 minutos
“, indicam
os empresários, destacando que “as
alternativas obrigarão a uma viagem de uma hora ou mais, com um custo que é o
dobro do atual
“.
Um estudo económico feito pela Câmara de Penacova,
aquando do projeto da mini-hídrica
da Foz do Caneiro — ‘chumbado’ na avaliação ambiental — estimou em meio
milhão de euros anuais o impacto que a atividade das descidas em kayak gera na
economia local
“, sublinham.
Imagina-se
que este impacto [do corte da estrada] seja bem superior ao custo da solução
técnica necessária para realizar a obra sem interrupção do trânsito
“,
destacam as empresas.
Mas os seis operadores da descida do Mondego “não
vão ficar de braços cruzados perante mais esta ameaça à sua
sobrevivência”, asseguram.
Antes de decidirem “formas de luta”, os
empresários “aguardam uma audiência
com o Centro Operacional Centro Norte da IP, para em conjunto estudarem as
soluções possíveis para esta atividade turística não ser interrompida na época
de maior procura, de forma a garantir os postos de trabalho existentes e os compromissos
assumidos com clientes, com fornecedores e com entidades gestoras de fundos
comunitários que apoiaram projetos de empreendedorismo
“, acrescentam.
Os operadores vão solicitar “outras audiências” a “diversas entidades, bem como aos
deputados à Assembleia da República eleitos pelo distrito do Coimbra
“.
Esta empreitada para a estabilização de taludes na EN
110 em Penacova, que foi consignada, em março deste ano, por cerca de 120 mil
euros, tem, de acordo com a IP, como “objetivo
o reforço das condições de segurança, quer para a circulação rodoviária quer
para as habitações confinantes com a plataforma rodoviária
“.
A intervenção prevê, designadamente, “corrigir os locais onde foram identificados
sinais de instabilidade, de modo a mitigar potenciais desprendimentos de
materiais rochosos
” para a via.