CENTRO 2020 – Aerogéis “limpos” desenvolvidos em Coimbra prontos a entrar no mercado

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Os
aerogéis de sílica puros, devido à sua estrutura, são excelentes isolantes
térmicos, mas a libertação de uma grande quantidade de partículas durante o seu
manuseamento condiciona a aplicação na indústria, especialmente nos setores
aeroespacial e de construção civil.
Um
problema que tem os dias contados graças a uma investigação desenvolvida por uma
equipa do Departamento de Engenharia Química (DEQ) da Faculdade de Ciências e
Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e da Active Aerogels, empresa que
se dedica ao desenvolvimento de produtos inovadores para isolamento térmico,
baseados em aerogéis.
Após dois
anos de estudo, desenvolvimento e testes de novas formulações que permitissem
resolver o problema da libertação de partículas e pó sem por em causa as
propriedades únicas que fazem dos aerogéis excelentes isolantes térmicos
(leveza, baixa condutividade térmica e versatilidade), o primeiro aerogel “limpo” produzido pelos investigadores da FCTUC e
Active Aerogels está pronto a entrar no
mercado
.
«É o resultado de um projeto muito complexo,
que passou por várias fases. Primeiro, a partir de aerogéis puros de sílica,
introduzimos e testámos novos compostos, através de processos de tecnologia
química. Numa segunda fase, encontrada a fórmula adequada para impedir a
libertação de partículas, mas sem prejudicar as propriedades dos atuais
aerogéis, seguiram-se múltiplas experiências, primeiro em laboratório, numa
escala muito reduzida
», relata Rafael Torres, investigador do projeto que,
na FCTUC, é coordenado pela especialista em aerogéis, Luísa Durães.
Com os
testes em laboratório a revelarem-se promissores, os investigadores avançaram
para testes em escalas maiores. E, aqui, aumentou a complexidade do projeto,
porque, explica Rafael Torres, «à medida
que aumenta a dimensão do produto, diminui a capacidade de manter o sistema
homogéneo, sendo as propriedades do produto deterioradas. Tivemos de garantir
que tais propriedades – densidade e condutividade, assim como propriedades
mecânicas – se mantêm no produto final independentemente da escala em que ele é
produzido
».
Ultrapassados
todos os obstáculos, os novos aerogéis vão permitir incrementar a aplicação
deste tipo de material na indústria, particularmente na aeroespacial, onde a
libertação de partículas e pó é crítica devido ao risco de contaminação. O
projeto foi financiado, em mais de 700 mil euros, por fundos da União Europeia
(Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), Portugal 2020 e Centro 2020.