VIDA AUTÁRQUICA – Gentes de Lorvão foram protagonistas da Assembleia Municipal de Penacova

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Para
além de cerimónias marcantes que se tenham realizado em Penacova, a do dia 28
de Junho de 2019 ficará para a história penacovense, porque 
grande
número de pessoas vindas daquela freguesia, de Lorvão, aderindo ao «
Movimento +
Saúde para o Hospital de Lorvã
o», encheram por completo o salão
nobre da Câmara Municipal, onde costuma realizar-se a Assembleia Municipal,
para, junto do supremo órgão concelhio, poderem expandir as suas 
reivindicações
quanto ao problema da instalação de uma Unidade de Cuidados Continuados, no
edifício do Mosteiro de Lorvão e quais as medidas a tomar para que tal
aspiração seja satisfeita.
Várias
foram as intervenções verificadas, da parte da comitiva lorvanense, em relação
ao problema acima citado:
Vítor
Simões
– 
Depois
de colocar várias opções para o problema, “Lorvão / Saúde 
ou
Charme?
”, afirmou que «é minha aspiração e de muitas pessoas, do Movimento ou
não, que no futuro desapareçam os “mas”, nomeadamente do lado dos políticos
eleitos, os quais têm por missão representar o interesse da população».
José
Alípio
– 
«O
edifício do antigo Hospital Psiquiátrico de Lorvão, parte integrante do
Mosteiro, ainda se encontra em condições de ser requalificado como Unidade de Cuidados
Continuados, sendo obrigação do Estado assumir as suas responsabilidades também
por já ter investido tanto dinheiro noutros Cister
cienses
Mosteiros com menos potencial edificado
». Além do mais era uma mais-valia “em termos
de crescimento económico, demográfico e de empregabilidade».
Beta Santos – «Era
bonito ter um hotel, mas os Cuidados Continuados é melhor opção, porque olha
pela população envelhecida, tanto mais que aquele espaço dará para mais e por
isso que os nossos autarcas olhem por aquele espaço 
em
favor das pessoas que venham a necessitar de tais cuidados
».
Eduardo Ferreira – Ao
apresentar diversos dados estatísticos sobre internamentos sobretudo, na Região
Centro, 128 doentes internados inapropriadamente e 2.691 de camas 
ocupadas
de forma errada, por tudo isto, considera que «ao povo só resta um caminho, que
é continuar a luta pela requalificação do imóvel para uso de todos, como
Unidade de Cuidados Continuados e serviço de Reabilitação, sem comprometer
outros usos em simultâneo, nomeadamente na área da cultura, do turismo e do
lazer
».
Mauro Carpinteiro (PSD) – Fazendo
uma abordagem da envolvência que tem havido em relação Mosteiro de Lorvão, em
parte negativamente, disse que «é hora do Município ouvir a voz da população e deixar
de seguir os ditames da mera conveniência propagandística
», alertando também o Presidente
da Câmara, de que «é preciso acordar para os riscos que corre aquele património
se nada for feito».
Pedro Diniz (PS) – Depois
de dizer que «a posição do PS e dos seus deputados nesta Assembleia sempre foi
muito clara, em transformar aquele espaço numa Unidade de Cuidados
Continuados
», não sendo também contrário à instalação de um hotel de charme, ou
qualquer outro equipamento ligado ao turismo, «é uma solução que também não
pode nem deve ser descurada
», mas está convicto de que «no dia que a realidade
se sobrepor à ficção e no dia em que a teimosia de alguns fizer eclodir a
possibilidade de aí serem equacionadas outras soluções, nesse dia haverá muita
gente que terá muito que explicar aos penacovenses e aos lorvanenses em
particular
» e «espero muito sinceramente que a instalação de uma Unidade de
Cuidados Continuados em Lorvão venha a ser uma realidade
».
Rui Batista – Rebatendo
de que há autarcas no concelho «que estão contra o Movimen
to»
e defendendo que «a freguesia de Lorvão demonstra pujança viva da sua
comunidade, com um movimento associativo voluntário» e quando outros, que não
vivem localmente, atiram «o rótulo de comunidade morta…
», desafiou 
«qualquer
um dos presentes a fazer por aquele espaço mais do que eu já fiz, de facto, em prol
do espaço e da sua fruição pela comunidade
», como presidente da Junta de
Freguesia, e não só.
Álvaro Miranda (CDU) – Elogiando
tal participação, a qual «enaltece o concelho de Penacova» lamentando que outras
sessões não atinjam tal patamar, disse que «sempre 
esteve
com a proposta mais viável para aquele espaço cujo encerramento foi o declínio
e Lorvão
».
Lorvão já podia gozar de uma Unidade de Cuidados Continuados
Pedro Coimbra – Como
presidente da mesa, falou do largo consenso que há na instalação dos Cuidados
Continuados, mas que «o Governo do PSD tentou aniquilar aquela área» e quando
teve responsabilidades nessa área na Segurança Social distrital, bateu à porta das
IPPS que quisessem fazer uma unidade, aproveitando a oportunidade. O Centro
Social de Lorvão «não o quis fazer, 
mesmo
no Hospital de Lorvão, que teve todas as possibilidades
» e recordou a compra na
altura por parte de Fernando Tavares Pereira, dum espaço no Telhado, onde
funciona uma unidade. Foi uma oportunidade que se perdeu, nessa altura, e «quem
ficou a perder foi o concelho de Penacova
» e por isso deixou os parabéns ao empresário
tabuense pela sua ousadia, «coisa que não tem a CDU, fazendo desta situação um
aproveitamento político
».
O problema esteve em discussão na Assembleia da República
Como
no passado dia 2 de Julho se realizava na Assembleia da República uma discussão
de uma petição sobre ao assunto, para o qual pediu que o «Movimento + Saúde» marcasse
presença, o deputado penacovense disse que «qualquer solução digna e viável é
bem-vinda, incluindo qualquer uma que possa ser promovida pela comunidade local
que se venha a organizar e a empreender, através de uma IPSS, associação ou outra
»,
rematando que «o importante mesmo é assegurar a sua preservação, valorização e
divulgação, bem como um acesso alargado a todos, pois trata-se de um
importantíssimo Monumento Naciona
l».
Hotel de Penacova em hasta pública
Porque
o anterior interveniente já tinha dito tudo, não deixando de elogiar o papel do
presidente da Junta de Freguesia, Rui Batista, da forma como tem desenvolvido o
progresso de Lorvão, Humberto Oliveira respondeu a outras 
questões
formuladas por deputados sobre outros assuntos, um deles o Hotel de Penacova,
que arreda a instalação de uma unidade hoteleira. Ainda sobre o que se pretende
fazer em Lorvão, disse que seja uma ou outra fórmula que ali seja implementada,
«não se devem fechar as portas para o melhor de Lorvão e de Penacova», já que
em qualquer lugar «a economia é emprego».
Em
relação a outros assuntos, como o IP3, cujas obras vão arrancar, das limpezas
florestais, sinalização, obras de preservação do Convento de Lorvão, reforço
dos Sapadores Florestais, o sucesso das praias fluviais, das festas de S. Pedro
de Alva, etc., mereceram explicações do Presidente da Câmara, em relação às
intervenções de Conceição Veiga, Pedro Dinis, Carlos Paula, Sérgio Assunção,
Carolina Rojais e Mauro Carpinteiro. Da ordem de trabalhos faziam parte ainda
outros pontos relacionados como as taxas para 2020, relativas ao Imposto
Municipal sobe Imóveis, as fixações da taxa do IRS, da derrama e direitos de
passagem.

Em
relação à delegação de competências, foi aprovada aquela que a CIM vai
absorver, relativamente a serviços públicos de Transporte de Passageiros
Regular em Vias Navegáveis, enquanto a Educação foi uma competência que não foi
aceite, por unanimidade. Também foi aprovada a proposta de Apoio às Freguesias.

José Travassos de Vasconcelos – A Comarca de Arganil de 18.07.2019