INCÊNDIOS – Especialista defende que combate seja feito por entidade única com corpo mais profissionalizado

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O especialista em ecologia do fogo Joaquim Sande Silva
defendeu hoje a necessidade de “uma revolução” no combate aos
incêndios, com a criação de uma única entidade responsável pelo dispositivo de
prevenção e combate, com um corpo mais profissionalizado.

A minha opinião é que era muito necessário existir uma
única entidade responsável pelo dispositivo de prevenção e combate a incêndios,
um único ‘dono do problema’ que conseguisse constituir um corpo operacional
mais profissionalizado, mais especializado e que cobrisse todos os aspetos a
prevenção e combate
”, defendeu Joaquim Sande Silva, um dos 12 peritos que
integraram a Comissão Técnica Independente de análise aos incêndios da região
Centro que deflagraram a 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande (distrito de
Leiria).

O especialista salientou que não existem informações
conjunturais em relação ao fogo do passado fim de semana em Vila de Rei e que é
preciso esperar pelo relatório que será feito para apurar as razões por que
progrediu daquela forma.

No entanto, considerou que o sistema de combate aos
incêndios não teve grandes alterações desde 2017, pelo que não se podem esperar
resultados diferentes.

O sistema não sofreu propriamente uma revolução e nem
isso era recomendado pelo relatório da comissão técnica independente que o
Governo tem tentado seguir
”, disse, sublinhando que “os protagonistas
dos combates continuam a ser os mesmos
”, com “as mesmas competências, a
mesma atitude, a mesma disciplina e a mesma organização”.

Sande Silva realçou que a criação de um corpo mais
profissionalizado foi uma proposta apresentada em 2005, na sequência dos
incêndios de 2003, “e foi rejeitada”.

Eu continuo a achar que é aquilo que falta ao sistema
em Portugal, mas nem toda a gente está de acordo com isso. Acho que, mais tarde
ou mais cedo, temos de evoluir para aí. Os espanhóis já evoluíram para aí há
muito tempo, outros países evoluíram nesse sentido
”, considerou.

Por outro lado, o também professor da Escola Superior
Agrária de Coimbra defendeu que a solução para o problema dos fogos em Portugal
não está “no ordenamento do território, nem no ordenamento florestal”.

Se estamos à espera disso, bem pode arder o país. Não
há nenhum país no mundo que tenha conseguido resolver a nível nacional ou
alterar de forma notável a performance do sistema em termos da diminuição das
estatísticas de incêndios com base na gestão doterritório e na gestão dos
combustíveis
”, disse.

Sande Silva realçou que esta estratégia de ordenamento “pode
ser feita pontualmente em zonas estratégicas com vista à proteção de
infraestruturas e ações de proteção civil
”, mas em nenhum país conseguiu “alterar
o comportamento global dos incêndios e mudar de forma significativa as
estatísticas dos incêndios com base no ordenamento do território e floresta
”.

Se há alguma coisa a ser mudada, tem que ser na área do
combate, na área da deteção de incêndios mais eficaz, redução drástica das
ignições. Tem de ser por aí. Não podemos estar constantemente a atirar o ónus
para a vegetação e para os combustíveis, à espera de uma realidade que nunca
vai chegar
”, concluiu.

Vários incêndios deflagraram no distrito de Castelo Branco
ao início da tarde de sábado. Dois com origem na Sertã e um em Vila de Rei
assumiram maiores dimensões, tendo este último alastrado, ainda no sábado, ao
concelho de Mação, distrito de Santarém, tendo sido dominado na terça-feira.