TESTEMUNHO – Vivências felizes numa Estrutura Residencial Para Idosos

0
10

Passado um ano do falecimento da minha mãe, da minha
“patroazinha” como carinhosamente a tratava…

De tanta saudade que tenho do seu amor, do seu afecto, do
seu colo e da sua presença…

E, porque sei que a minha mãe foi imensamente feliz na
Estrutura Residencial para Idosos do Centro Social Paroquial do Sarzedo,
impõe-se e tenho a certeza que lá do céu concordará comigo, uma reflexão sobre
as Estruturas Residenciais para Idosos e o meu testemunho, na qualidade de
familiar de residente e Assistente Social/Directora Técnica da Instituição…

O debate em torno do envelhecimento e das respostas sociais
de apoio aos cidadãos idosos tem adquirido, nos últimos anos, crescente
actualidade e relevância, em particular nas sociedades ocidentais,
verificando-se uma preocupação central com as questões ligadas à velhice e ao
envelhecimento.
O aumento da esperança média de vida trouxe consigo o
aumento do número de pessoas idosas e, com estas, várias necessidades sociais,
que se colocam como desafios nas modernas sociedades em que vivemos.

Neste contexto e para responder a estes desafios foram
su
rgindo, ao longo dos tempos, diversas respostas sociais, tais como Centros de
Dia, Serviços de Apoio Domiciliário (SAD), Estruturas Residenciais para Idosos
(ERPI), entre outras.
As Estruturas Residenciais, outrora designadas por Lares,
têm a sua origem histórica nos Asilos, tendo surgido como alternativa aos
idosos em situação de maior risco ou de efetiva perda de independência e/ou
autonomia. É a resposta social mais antiga, cuja origem se perde nos tempos. A
grande maioria dos Asilos estava ao cuidado da Igreja.

Desde a década de 60 houve, contudo, uma tentativa por
parte da sociedade e do Estado de melhorar as condições de acolhimento dos
Asilos. E é nesta perspectiva de melhoria significativa das casas de
acolhimento aos mais velhos que vou centrar a minha abordagem.

O Centro Social Paroquial do Sarzedo tem acompanhado a
evolução da sociedade e desenvolvido, ao longo dos anos, respostas específicas
e adequadas para a população de idade maior, tendo sempre em conta as diversas
problemáticas associadas a esta, tais como o aumento do número de pessoas com
demência e a procura de espaços específicos, com atividades direcionadas a esta
população.
Sabemos que quando não é a família que cuida, é uma
Instituição que cumpre esse desiderato.

Quando a institucionalização numa Estrutura Residencial se
torna inevitável e se afigura como a melhor resposta, o papel da família é de
grande importância na promoção de uma melhor e adequada integração dos idosos
nos equipamentos. A integração institucional passa, então, pela manutenção das
relações familiares, relações pessoais, participação em atividades na
instituição, com a comunidade, do sentimento de pertença e do envolvimento.
Todas as pessoas necessitam de se sentir amadas e de amar, de estabelecer laços
afetivos e de socializar.

No caso concreto da minha ”Patroazinha”, a mesma depois de
uma existência marcada por uma vida dura de trabalho, por problemas pessoais
difíceis e consequentes problemas graves de saúde; Considerando que a minha mãe
viveu sempre comigo e que fui sempre eu a sua cuidadora informal até à entrada
na ERPI;
Atendendo a que viveu sempre no seu cantinho, na minha
casa, dedicando-se totalmente à sua família (filha, neta e genro) que foi
sempre a sua grande prioridade;
A minha querida mãe foi confrontada pelo agravamento da sua
situação de saúde e de dependência com a minha incapacidade enquanto filha para
tê-la em casa, no seu meio familiar de vida e prestar-lhe todos os cuidados que
a mesma me merecia, mas que devido à minha vida profissional, já não conseguia
assegurar, com a imposição de cuidados que o seu estado geral de saúde exigia
para o seu bem-estar e felicidade nesta etapa da vida.

A primeira reacção à ida para a Estrutura Residencial foi
um não que se transformou de imediato num sim, porque a minha querida mãe que
sempre toda a vida me priorizou, compreendeu que eu não tinha condições para
fazer o melhor por ela em casa.

A entrada na ERPI da minha “Patroazinha” foi um duplo
desafio para mim, como filha e como Assistente Social/ Directora Técnica da
Instituição que a acolheu. O duplo desafio foi superado, porque a integração da
minha mãe no ambiente institucional foi absolutamente positivo…criou boas
relações com os seus pares, com os colaboradores e conseguiu perceber
cabalmente que a ERPI tinha sido a melhor opção para as duas partes…e a minha
querida mãe adorou viver na ERPI (até participou em diversas actividades, algo
que me surpreendeu e que não imaginaria na minha mãe…) situação que tenho
documentada em vídeo aquando dos seus consecutivos internamentos nos HUC, onde
dizia frequentemente que tinha saudades dos colaboradores, dos seus pares(
mandava beijinhos para todos) e do seu quarto no espaço institucional. Sei que
a minha querida mãe foi feliz no pouco tempo que viveu na ERPI e mesmo
relativamente a mim, já muito doente mas sempre com aquele sorriso no rosto que
tão bem a caracterizava dizia que a Directora Técnica da ERPI era muito
exigente mas que tinha muito orgulho nela…depois, no papel de Directora Técnica
tive ainda a proeza de juntar duas bipolares no mesmo quarto (a minha mãe e
outra residente), o que não foi fácil de gerir, mas com estratégia e
colaboração de toda a equipa , foi outro desafio superado e outro crescimento
para toda a equipa de trabalho. Sei que a D. Lourdes foi bem cuidada, foi bem
tratada e ao contrário de uma grande maioria de pessoas, tenho para comigo que
as Estruturas Residenciais constituem uma resposta completa, adequada e
humanizada na velhice e como filha, serei eternamente grata a todos os
profissionais que cuidaram da minha mãe e que o fizeram com tanta humanidade e
profissionalismo.

No Centro Social Paroquial do Sarzedo, os desafios da
preservação das capacidades funcionais, da manutenção da independência para as
atividades básicas e instrumentais de vida diária, a prestação de uma panóplia
de cuidados humanizados representam uma luta diária de quem trabalha na área da
gerontologia e em específico na nossa Estrutura Residencial para Idosos.

Este trabalho social desenvolvido na ERPI passa muitas das vezes despercebido
aos olhos até dos familiares e amigos mais presentes. Dia após dia, uma equipa
de profissionais capacitada, trabalha na aplicação e persecução dos Planos de
Desenvolvimento Individual (PDI’s) de cada idoso, onde são desenvolvidas
diversas técnicas e metodologias com vista à manutenção das capacidades
funcionais, do bem-estar e da qualidade de vida.

A satisfação das necessidades e atividades básicas de vida
diária não podem ser as atividades principais de uma Estrutura Residencial,
essas têm de estar, à partida, garantidas. O desafio é criar condições e
estratégias para que cada um dos nossos residentes seja feliz na sua estadia
entre nós.

No Centro Social Paroquial do Sarzedo, tornar os outros
felizes, é a nossa missão. Trabalhamos para a felicidade dos nossos clientes.

A nossa verdadeira missão enquanto equipa técnica
multidisciplinar com formação e preparação, com profissionais como
Nutricionista, Médico, Enfermeiros, Fisioterapeuta, Assistente Social/
Directora Técnica, Professor de Educação Física, Administrativos, Animador
Sócio-cultural, Auxiliares, Cozinheiros, Ajudantes de Acção Directa, é
responsabilizar-se através das suas competências e facilitar todos os
processos, trabalhando para a promoção da autonomia, da vigilância de saúde, da
reabilitação, da prevenção de complicações, da garantia de bem-estar e da
qualidade de vida dos nossos residentes.

É por demais evidente que os nossos residentes necessitam
de cuidados especiais, empenho e competência da resposta social Estrutura
Residencial para idosos, para que as dimensões física, psíquica, intelectual,
espiritual, emocional, cultural e social da vida de cada indivíduo possam por
ele ser desenvolvidas sem limitações dos seus direitos fundamentais à
identidade e à autonomia.

Na verdade, na Estrutura Residencial para Idosos do Centro
Social Paroquial do Sarzedo, procuramos lutar pela integridade e dignidade dos
mais velhos com quem trabalhamos diariamente e de preservar a sua identidade,
num espaço humanizado, personalizado, atentos às efetivas e específicas
necessidades de cada situação, sem perder de vista que é o cliente idoso, nas
suas necessidades e desejos, com suas vivências familiares e sociais,
integradas no universo dos cuidados a prestar, o foco centralizador de toda a
nossa actuação. Tenho dito.


Rosário Pimentel – Diretora Técnica do Centro Social Paroquial do Sarzedo