INVESTIGAÇÃO – Cientistas de Coimbra decifram mecanismo que regula o desenvolvimento do sistema nervoso

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Uma equipa de investigação do Centro de Neurociências e
Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC) decifrou um importante
mecanismo de regulação do desenvolvimento do sistema nervoso, foi hoje
anunciado.
A descoberta foi objeto do artigo “SynaptogenesisStimulates a Proteasome-Mediated Ribosome Reduction in Axons“,
recentemente publicado na revista científica Cell Reports, e “pode abrir caminho a novos estudos sobre as
lesões da medula e doenças como a Esclerose Lateral Amiotrófica
“,
salientou hoje a UC, em comunicado enviado à agência Lusa.

A investigação, realizada em parceria com a Universidade de
Cornell (EUA), o Instituto Italiano de Tecnologia (Itália) e a Universidade
Nacional de Seul (Coreia do Sul), permitiu perceber como o processo de “sinaptogénese leva ao desaparecimento dos
ribossomas durante a maturação dos axónios
“.

Para
compreender os conceitos científicos complexos de cada uma dessas peças – sinaptogénese,
ribossoma ou axónio – importa, antes de mais, entender como o puzzle funciona.
Os nossos neurónios são divididos em três estruturas: corpo celular, dendrites
e axónio
“, explica o comunicado.

O axónio funciona com um canal de comunicação dos neurónios,
permitindo o contacto com outros neurónios ou outras células do corpo humano,
através de uma estrutura especializada designada de sinapse, que permite a
transmissão de informação entre as células nervosas.

O CNC-UC explica que, “durante o desenvolvimento do sistema nervoso, os neurónios passam por
um processo de maturação, no qual ocorrem transformações significativas ao
nível do axónio
“.

Uma dessas
modificações é a alteração do número de ribossomas (pequenas estruturas que
funcionam como máquinas de produção de proteínas)
“, acrescenta.

O estudo da equipa de investigadores pretendeu identificar
os mecanismos que regulam essa alteração, dado que, “de uma forma até agora não entendida, após a maturação dos axónios, o
número de ribossomas nos axónios é reduzido
“, refere o líder da equipa
de investigação, Ramiro Almeida, citado na nota.

O estudo utilizou modelos animais e celulares e, em ambos
os casos, foi observado que a formação de novas sinapses era responsável pela
redução do número de ribossomas nos axónios.

A equipa de investigadores acredita que este decréscimo,
após a maturação dos neurónios, ocorre devido a uma menor necessidade de
formação de novas proteínas, “que é
mediada pelo sistema de ubiquitina-proteossoma (responsável pela degradação de
componentes celulares)
“.

Segundo a UC, estas conclusões poderão ter um impacto
relevante no estudo de lesões vertebro-medulares.

Estudos de outros grupos de investigação mostraram
que numa situação de lesão neuronal, entre muitos outros processos, o número de
ribossomas nos axónios aumenta, e estes comportam-se de maneira semelhante aos
axónios imaturos
“, referem Ramiro Almeida e Rui Costa, também investigador
do CNC-UC e primeiro autor do estudo.

A investigação mostra qual o mecanismo de
regulação dos níveis de ribossomas e a sua importância no desenvolvimento do
sistema nervoso.

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