ILUSTRES (DES)CONHECIDOS – José Maria de Oliveira Matos (1847-1924)

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Porventura um dos deputados
penacovenses com maior longevidade política. Oliveira Matos tomou assento na
Câmara dos Deputados em 1887 e em 1910 ainda o vamos encontrar a responder à
chamada nas sessões parlamentares da monarquia constitucional. Nasceu em S.
Pedro de Alva. Por esta freguesia e pelos concelhos de Penacova e Arganil, fez
erguer a sua voz e a sua influência quer como Deputado, quer como Par do Reino.
No entanto, que saibamos, da sua memória, na terra natal, apenas permanece o
nome numa Avenida do centro histórico da vila. Em termos de
toponímia tem ruas em Coimbra, Lousã e Arganil. 

De ascendência arganilense, José
Maria de Oliveira Matos nasceu em S. Pedro de Alva em 1847, filho de António
Oliveira Matos e de Maria Amália de Figueiredo. 

Ainda criança foi para Coimbra onde
fez os seus estudos. Frequentou, como ouvinte, a Universidade onde granjeou
grandes simpatias e amizades. Viajou pelo estrangeiro e seguiu a vida comercial
no Porto, regressando a Coimbra alguns anos depois. 

Colaborou com jornais destas duas
cidades. Já na política activa, foi redactor principal do jornal “Tribuno
Popular”, órgão oficial do Partido Progressista em Coimbra. Ingressou neste
partido pela mão do Conselheiro José Luciano de Castro de quem foi amigo
pessoal. Em Arganil fundou o núcleo concelhio progressista, que dirigiu até à
implantação da República. 

Foi eleito deputado pela primeira
vez em 1886, tomando posse em 1887 onde se destacou como “orador vigoroso e
apaixonado”. 

Enquanto político e deputado pugnou
não só pela construção do Caminho de Ferro de Arganil, projecto que teria
trazido grande desenvolvimento à Beira-Serra se se tivesse concretizado, mas
também pela resolução de muitos problemas com que se debatia o distrito de
Coimbra. No que diz respeito ao concelho de Penacova foi um defensor da
construção da Ponte do Rio Alva, da conclusão da Ponte de Penacova e da
abertura de acessos a Lorvão, na altura totalmente inexistentes. Além disso, a
ele (juntamente com Evaristo Lopes Guimarães) se deve a construção e cedência à
Câmara Municipal do edifício onde em 1914 foi inaugurada a Estação Telégrafo-Postal
de S. Pedro de Alva.



Em 1908, aquando da inauguração dos
trabalhos na Ponte do Alva, o Jornal de Penacova (republicano) escreveu: “É justo, justíssimo mesmo, que republicanos, progressistas, regeneradores e
franquistas, do concelho de Penacova, se unam em massa, para prestarem uma
merecida homenagem ao incansável propugnador dos interesses deste concelho, sr.
Oliveira Matos.”
Ponte do Alva e Correios de S. Pedro de Alva: duas obras ligadas ao seu nome

Morreu em 1924. A Câmara dos Deputados, na
sessão de 7 de Abril desse ano aprovou por unanimidade um “voto de sentimento”,
que a viúva, Emília de Macedo Santos Oliveira Matos haveria de agradecer
através de ofício dirigido àquela assembleia. Aquando da apresentação do voto
de pesar, a que também o Presidente do Ministério (1º Ministro), Álvaro de
Castro, se associou, muitos deputados se manifestaram enaltecendo as qualidades
humanas e políticas de Oliveira Matos. Aqui ficam as principais intervenções,
reveladoras do estatuto político e humano deste penacovense ilustre, mas
(des)conhecido:

“um homem de bem, trabalhador e activo como
poucos”
“um parlamentar de certo renome na vida
política do seu tempo”
“de origem humilde, soube, com o seu trabalho e
o seu esforço, ocupar na sociedade portuguesa um lugar de destaque”
“infatigável defensor desse distrito [Coimbra]
, principalmente de Arganil e S. Pedro de Alva, terras estas onde ao serviço
das quais ele pôs todo o valor da sua actividade política e pessoal”
“Oliveira Matos foi um verdadeiro homem de bem
que à sua terra prestou incontestáveis serviços”

David
Gonçalves de Almeida