SENSIBILIZAÇÃO – Cientistas de Combra alertam para perigos da praga do percevejo asiático que pode invadir Portugal

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Cientistas alertam para perigos do percevejo asiático que
pode invadir Portugal

Inseto
problemático
“, avisa a equipa de investigadores da Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra que está a desenvolver “uma campanha de sensibilização sobre a
problemática desta praga
“.

Investigadores de Faculdade de Ciências e Tecnologia da
Universidade de Coimbra (FCTUC) alertaram esta quinta-feira contra os perigos
do percevejo asiático, “inseto problemático” que, “com
certeza
“, vai incluir Portugal na “já longa lista de países
invadidos
“.

Numa altura em que se discute intensamente o combate à vespa
asiática (vespa velutina), “existe
outro inseto muito problemático, o percevejo asiático (Halyomorpha halys), que,
com certeza, incluirá Portugal na já longa lista de países invadidos em todo o
mundo
“, alerta um grupo de cientistas da FCTUC, numa nota enviada esta
quinta-feira à Lusa.

Para sensibilizar a população em geral, e “os produtores agrícolas em particular“,
a equipa de investigadores do FLOWer Lab (Centre for Functional Ecology) da FCTUC está
a desenvolver “uma campanha de sensibilização sobre a problemática desta
praga
“, refere a FCTUC.


Inserida no projeto i9Kiwi, a campanha inclui vários
materiais de divulgação, entre os quais “panfletos acerca do percevejo
asiático, difundidos em formato físico ou através das redes sociais, bem como a
realização de comunicações públicas e publicações técnicas, alertando para a
problemática deste inseto
“.
22
países invadidos pelo percevejo asiático

Os investigadores apelam também à “participação de todos os cidadãos, na
melhor filosofia de uma ciência verdadeiramente inclusiva e cidadã, através da
partilha no grupo de Facebook ‘Percevejo asiático (Halyomorpha halys) PT‘, ou
via e-mail (h.halys.i9k@gmail.com), de fotografias de possíveis avistamentos do
inseto
“.

Nativo do oeste asiático, o percevejo asiático foi
introduzido acidentalmente nos continentes americano (nos EUA em 2001 e no
Chile em 2017) e europeu (Suíça em 2004), “tendo expandido a sua distribuição a partir destes pontos de
introdução, contando já com 22 países invadidos
“.

Apesar das populações estabelecidas mais próximas estarem
na Catalunha (Espanha) desde 2016, “no
início de 2019 o inseto foi intercetado na região de Pombal
” (distrito
de Leiria), em equipamento agrícola importado (de acordo com a Direção-Geral de
Alimentação e Veterinária), de Itália, “país europeu onde se estão a verificar mais prejuízos económicos“,
afirma a FCTUC.

Pode
ter “efeitos muito negativos para a agricultura”
, alerta investigador
O
estabelecimento de mais uma praga agrícola no nosso país, especialmente de um
inseto picador-sugador capaz de se alimentar em mais de 300 espécies de plantas
nas suas diferentes estruturas (frutos, folhas, rebentos…), incluindo
inúmeras plantas de interesse agrícola, poderá ter efeitos muito negativos para
a agricultura
“, adverte, citado pela FCTUC, o investigador do FLOWer
Lab João Loureiro.
É durante o
período de atividade em que se alimenta (de abril a novembro) que inviabiliza
comercialmente os produtos agrícolas (provocando cicatrizes, depressões,
descolorações, deformações e/ou queda)
“, explica João Loureiro.

As perdas a
este nível podem chegar a 90% de produção e culturas agrícolas como o tomate,
milho, pera, uva e laranja, tão relevantes no contexto nacional, podem vir a
ser severamente afetadas, sem que haja ainda uma forma eficaz de controlo
“,
acrescenta o investigador e docente da FCTUC.

A nível de saúde pública, “a procura do inseto por abrigos, nomeadamente no interior de casas e
barracões, para a fase de diapausa (hibernação) durante os meses frios
(dezembro a março), leva uma concentração elevada de organismos — na ordem dos
milhares de insetos — agravada pela libertação de odores nefastos quando
perturbados
“, salienta João Loureiro.

Hugo Gaspar, também investigador do FLOWer Lab,
responsável pela produção dos materiais de divulgação e pela identificação dos
avistamentos suspeitos, observa, por sua vez, que “o clima favorável em Portugal, a rápida progressão observada e os danos
agrícolas e de saúde pública com difícil combate, e a intersecção verificada em
Portugal no início do ano, tornam imperativo trazer o conhecimento ao público e
assim tentar evitar a expansão silenciosa
“.

O estado de alerta é “a melhor medida que se pode tomar neste momento e a ajuda de todos é
essencial, principalmente através da participação ativa dos produtores
agrícolas
“, apela Hugo Gaspar.