GOVERNO – Ana Abrunhosa, da recuperação dos fogos para o ministério

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A nova ministra da Coesão Territorial recebe o prémio
pelo trabalho que fez à frente da CCDR Centro que teve a responsabilidade pelo
Programa de Apoio à Recuperação de Habitação Permanente depois dos grandes incêndios.
Foi absolvida em maio de um caso de conspiração política

A presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento
Regional do Centro (CCDRC), que articulou no terreno a reconstrução e
recuperação das zonas afetadas pelos fogos – era a responsável pelo Programa de
Apoio à Recuperação de Habitação Permanente -, é a nova ministra da Coesão
Territorial. Ana Abrunhosa será o rosto e a ponta de lança de António Costa
para as políticas de valorização do interior que têm feito parte do discurso
dos socialistas. E a que o Governo quer agora dar corpo.

Doutorada em Economia pela Universidade de Coimbra, Ana
Abrunhosa é uma especialista em fundos europeus – de que já foi gestora na
mesma CCDR – e tem sido uma figura controversa na região centro. Em maio deste
ano foi
absolvida em julgamento de um caso com contornos políticos: ela e o
ex-marido tinham sido acusados de difamação e denúncia caluniosa do anterior
presidente da CCDR, Pedro Saraiva – que entretanto chegou a ser deputado do PSD
e foi o relator da comissão de inquérito ao BES.

Ana Abrunhosa e Luís Borrego – professor no departamento
de mecânica da universidade – foram acusados divulgar cartas anónimas, em 2013
e 2014, lançando suspeitas sobre um alegado favorecimento de Pedro Saraiva a
empresas com quem tinha trabalhado enquanto consultor. O objetivo dessas cartas
seria o de impedir que este concorresse a presidente da CCDRC, abrindo caminho
à subida da então vogal Ana Abrunhosa a presidente da instituição.

Sempre acreditei
na justiça, mas não posso deixar de sair deste processo com um sentimento de
mágoa uma vez que se trata de quatro anos da minha vida pessoal e familiar,
durante as quais, nas redes sociais ou em qualquer sítio, qualquer pessoa se
sentia no direito de caluniar e de produzir declarações infundadas, com base em
notícias que eram produzidas sobre o processo, muitas vezes sem qualquer
fundamento
”, disse Ana Abrunhosa em declarações ao Expresso quando foi
absolvida há cinco meses. “Ninguém está
livre de processos como estes baseados numa acusação que era apenas fundada numa
convicção que não produziu qualquer prova em tribunal. E estes anos ninguém mos
recupera! Se consegui ultrapassá-los foi porque tinha a consciência tranquila e
o apoio da família, dos amigos e de todos os que trabalham comigo
”.

Com esta sombra arrumada, Ana Abrunhosa entra para o
Executivo como especialista na matéria em causa, presente no terreno há anos.
Entre os cargos que já desempenhou na CCDR está o de responsável pelas áreas do
Desenvolvimento Regional, apoio jurídico à administração local e comunicação, e
gestão administrativa e financeira.

Vítor Matos – Editor de política do Jornal Expresso