CANTINAS ESCOLARES – Ordem diz que faltam nutricionistas nas escolas públicas

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Segundo as contas da Ordem, “deviam ser contratados, de imediato, 30 nutricionistas” — e o
ministério tem apenas dois. Reforço permitiria assegurar uma “
alimentação equilibrada, saborosa e
apelativa
“.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas alerta para a
falta de nutricionistas nas escolas para controlar as refeições, lembrando que
o Ministério da Educação tem apenas dois especialistas.
A Direção-Geral de Educação definiu em 2018 um conjunto de
regras para a elaboração dos menus das crianças e adolescentes. As “Orientações sobre Ementas e Refeitórios
Escolares
” foram desenhadas pelos dois nutricionistas do Ministério da
Educação (ME) num trabalho que a bastonária Alexandra Bento classifica de
excelência.

Nas escolas públicas portuguesas há apenas dois
nutricionistas que têm feito um trabalho de excelência, muito importante. Mas
são poucos”, alerta.


A bastonária saúda o empenho e a qualidade dos diplomas que
têm sido publicados pelos serviços do Ministério da Educação, mas lembra que
não basta ter leis: “É preciso quem
garanta que as normas estão a ser aplicadas
”.

Segundo contas feitas pela Ordem, “deviam ser contratados, de imediato, 30 nutricionistas”.

Este reforço permitiria assegurar uma “alimentação equilibrada, saborosa e apelativa” para todas as
crianças que almoçam nos refeitórios, mas também para as que optam pelos bares
ou máquinas de venda automática, sublinha.

No ano letivo de 2017/2018, por exemplo, foram servidas
diariamente uma média de 170 mil almoços nos 776 refeitórios com comida feita
por empresas exteriores.

A proposta da Ordem de contratar 30 profissionais foi
apresentada no ano passado à então secretária de estado Alexandra Leitão, que
na altura a considerou “importante e
estruturante
”, recorda a bastonária.

No entanto, acrescenta Alexandra Bento, “desde então não
houve mais desenvolvimentos
”.

Questionada pela Lusa, a tutela que disse que “a proposta feita pela Ordem dos
Nutricionistas está em análise nos serviços do ME, carecendo agora de uma
avaliação de impacto e oportunidade como todas as propostas desta natureza
”.

Alexandra Bento lembra que “na escola faz-se metade do dia alimentar”. Além disso, acrescenta,
existem inúmeras famílias sem capacidade financeira ou conhecimentos suficientes
que permitam oferecer uma alimentação equilibrada aos filhos.

A carência de nutrientes pode “condicionar o crescimento e o desenvolvimento cognitivo” de crianças e
jovens, alerta Alexandra Bento, considerando que estas são “situações muito
graves e que exigem uma intervenção forte e imediata
”.

“O Estado português
faz muito ao providenciar alimentação que é subsidiada para um bem maior, que é
a alimentação de todas as crianças. Mas importa que seja verdadeiramente
equilibrada”, sublinha.


Essa garantia só pode ser dada com a presença de
profissionais nas escolas que consigam supervisionar o que é oferecido aos
alunos, defende Alexandra Bento.
O Ministério da Educação sublinha que a fiscalização do
cumprimento das ementas compete às escolas “existindo um sistema de comunicação de reclamações, que são objeto de
análise pelas delegações regionais de educação
”.

No ano letivo de 2017/2018, a quantidade servida aos alunos
motivou 263 denúncias e a qualidade das refeições 163 queixas.

O ministério criou equipas mistas para supervisionar a
oferta alimentar nas escolas. A medida é saudada pela bastonária que não deixa
de lamentar a inexistência de nutricionistas nas equipas: “Não têm o envolvimento de quem me parece que está bem preparado para
fazer essa supervisão, que são os nutricionistas
”.

Já para os diretores escolares, o maior problema parece ser
a dimensão das equipas. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de
Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), teme que as reduzidas
equipas não conseguiram abranger um número significativo de escolas.

O ME criou equipas regionais de fiscalização nas Direções
de Serviço de Região Norte, Centro e Lisboa Vale do Tejo, com apenas quatro
elementos cada, e nas regiões do Alentejo e do Algarve com apenas dois
elementos cada.

No primeiro ano de existência as equipas visitaram 77
cantinas, num universo de mais de 700. O resultado do trabalho realizado no
passado ano letivo ainda não é conhecido.