CIÊNCIA VIVA – O céu de novembro de 2019

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A presença da Lua junto a Saturno sinaliza o segundo e o
penúltimo dia deste mês.

A presença da Lua junto a Saturno sinaliza o segundo e o
penúltimo dia deste mês.
Neste intervalo de tempo ocorrem os picos de atividade de
três chuvas de meteoros. Duas parecem irradiar da constelação do Touro (as
Táuridas do Sul e do Norte), enquanto outra tem o seu radiante na constelação
do Leão (a chuva de estrelas Leónidas).

Embora tenham intensidades semelhantes, não superando a
meia dezena de meteoros por hora, as Táuridas do Sul e do Norte distinguem-se
pela localização dos seus radiantes e por terem picos de atividade separados
por seis dias: a primeira na noite de dia 6 e a outra na madrugada de dia 12.
Este ano a presença da Lua Cheia na constelação do Touro irá dificultar a
observação do pico de atividade das Táuridas do Norte.


A seu turno, o pico de atividade da chuva de estrelas
Leónidas terá lugar na madrugada de dia 18, que este ano coincide com a véspera
do quarto minguante. Embora se pudessem esperar até uma quinzena de meteoros
por hora, a presença da Lua na constelação do Caranguejo irá reduzir
drasticamente esse número.

Na noite de dia 9 para 10 dois planetas situar-se-ão ao
lado de duas das estrelas mais brilhantes do firmamento: Vénus estará
ligeiramente acima de Antares, o coração da constelação do escorpião, e Marte
será visto junto a Espiga, a estrela que representa a espiga de trigo
transportada pela constelação da Virgem. Mas enquanto Vénus apresenta-se como
estrela da tarde, Marte só nascerá ao final da madrugada.

A seu turno, Mercúrio apenas será visível nos céus
vespertinos até à primeira quarta-feira de novembro. Depois já só volta a
reaparecer a partir de dia 18, já ao final das madrugadas. Este planeta atinge
o seu maior afastamento para oeste relativamente ao Sol no dia 28.
No dia 11 teremos a oportunidade de ver Mercúrio em pleno
dia. Tal será possível pois entre o meio e meia hora e as dezoito horas desse
dia (altura em que o Sol já se terá posto em Portugal Continental) este planeta
irá passar à frente do disco solar, um fenómeno astronómico chamado de transito
planetário.

Atendendo à diferença de tamanho entre o Sol e Mercúrio,
este planeta apenas consegue bloquear uma pequeníssima parte da luz solar. Mas
noutros casos, o efeito é suficientemente intenso como para permitir encontrar
planetas fora do nosso sistema solar.

Nunca é demais recordar que, dado o tamanho de Mercúrio, a
sua observação no disco solar requer o uso de binóculos ou telescópios que
estejam equipados com filtros especificamente criados para esse efeito. O não
cumprimento desta regra de segurança acarreta graves consequências para a nossa
visão.

No intervalo de tempo que separa as noites de dia 13 a 19,
veremos como a Lua se terá deslocado de Aldebarã, o olho da constelação do
Touro, até junto de Régulo o coração da constelação do Leão, passando ao lado
de Pólux, a estrela à cabeça desse gémeo celeste.

A Lua será vista a aproximar-se de Marte na madrugada de
dia 24. Um dia depois, véspera da Lua Nova, a Lua terá chegado ao pé de
Mercúrio.

Finalmente entre os dias 27 e 28 veremos a Lua passar pelos
planetas Júpiter, Vénus e Saturno.
Boas observações!
Por: Fernando J. G. Pinheiro (CITEUC)

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva
Figura 1: céu a sudoeste ao início da noite de dia 2.
Igualmente é possível ver a posição de Vénus, Júpiter, Saturno e da Lua no dia
28, e desta última nas noites de dia 4 e 29.
Figura 2: céu a Sul pelas cinco horas da madrugada de dia
29. Igualmente é visível a posição da Lua nalgumas das madrugadas de dias 12 a
20, e os radiantes das chuvas de estrelas Leónidas, e Táuridas do Sul e do
Norte.

(imagens adaptadas de Stellarium)