Revolução Grisalha

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Escolhi o nome “Revolução
Grisalha
” para esta crónica, recordando um programa que fiz em 1993 na
rádio com a mesma designação. Revolução Grisalha, porque acredito que se temos
ao nível da demografia, um envelhecimento populacional que é universal, se
existe um aumento do número de idosos, se efectivamente há ainda um aumento
mais significativo dos muito idosos e se há um predomínio do sexo feminino,
temos naturalmente de dar expressão às necessidades sentidas nesta etapa da
vida chamando a atenção para as problemáticas que envolvem os mais velhos, de
cabelinhos brancos ou de outra cor, sensibilizando o poder para que os cidadãos
seniores tenham políticas sociais capazes de promover os direitos das pessoas
idosas.

Nesta crónica, vou falar sobre a Gerontologia Social e a
Geriatria que são ciências que contribuem para uma melhor qualidade de vida dos
nossos idosos.

Em 1903, Elie Metchnikoff defendeu a ideia da criação de
uma nova especialidade, a GERONTOLOGIA, a partir das expressões gero (velhice)
e logia (estudo). 

Propunha a criação de um campo de investigação dedicado ao
estudo exclusivo do envelhecimento, da velhice e dos idosos. Por definição,
Gerontologia é o campo multiprofissional e multidisciplinar que visa à
descrição e explicação das mudanças típicas do processo de envelhecimento e de
seus determinantes genético-biológicos, psicológicos e socioculturais. Abrange
aspectos do envelhecimento normal e patológico.

Em 1909, Ignatz Leo Nascher, médico vienense radicado nos
Estados Unidos, propôs a criação de nova especialidade médica, destinada a
tratar das doenças dos idosos e da própria velhice, a qual denominou GERIATRIA.
Nasher, considerado o “pai da Geriatria”, fundou em 1912 a Sociedade de
Geriatria de Nova York, escreveu o livro Geriatrics: the diseases of old age
and their treatment em 1914.

Ao longo dos tempos há uma evolução destes conceitos e em
Portugal, no ano de 1951, surge em Lisboa, a Fundação da Sociedade Portuguesa
de Geriatria e Gerontologia e em 1978, existe a refundação da Sociedade
Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, com o apoio da SCML através da secção
da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa.

Naturalmente que até aos nossos dias, a Sociedade
Portuguesa de Geriatria e Gerontologia continua o seu trabalho de divulgação e
estudo sobre estas duas áreas do conhecimento.

Diremos, pois, que a Geriatria é a área médica que trata
das doenças típicas das pessoas idosas. O Geriatra é um médico que utiliza uma
abordagem ampla para a avaliação clínica, incluindo aspectos psicossociais,
escalas e testes; por isso, a consulta geriátrica é, em geral, mais demorada.
Além de lidar com doenças como as demências, a hipertensão arterial, a diabetes
e a osteoporose, o médico geriatra também trata de problemas com múltiplas
causas, como tonturas, incontinência urinária e tendência a quedas.
Frequentemente, atua em conjunto com uma equipa multidisciplinar, nomeadamente
na avaliação de tratamentos adequados e daqueles que trazem riscos e/ou
interações indesejadas.

A Gerontologia é a área que produz um estudo mais
aprofundado do envelhecimento humano, pois vai lidar com todas as necessidades
dos mais velhos. Concretamente, a Gerontologia é o campo de estudos que
investiga as experiências de velhice (inclui como a sociedade define as pessoas
idosas) e envelhecimento (representa a dinâmica de passagem do tempo) em
diferentes contextos socioculturais e históricos, abrangendo aspectos do
envelhecimento normal e patológico. Investiga o potencial de desenvolvimento
humano associado ao curso de vida e ao processo de envelhecimento. 

Dado que o número de idosos na população mundial vem
crescendo;  considerando que até 2050 a
população de idosos poderá ser de 2 bilhões, é crucial a existência destas
áreas do saber, a Geriatria que se foca nos aspetos médicos do envelhecimento
ou seja voltada para o  tratamento
clínico dos idosos e a Gerontologia que estuda a qualidade de vida no
envelhecimento.

Para percebermos a importância destas áreas, apresento um
exemplo prático:

Geriatria
e Gerontologia

Um adulto com pneumonia vulgar cura-se em 8 dias; no idoso,
isso não acontece, começando logo no diagnóstico a diferença: Como é que eu vou
tratar o idoso e onde é que o vou tratar. Tem de se internar o idoso, não pela
patologia em si, mas pelo conjunto de situações que envolvem o idoso,
nomeadamente a ausência de suporte familiar, ausência de recursos e ausência de
uma resposta social adequada. E quando regressa do internamento, que opções
existem para a sua recuperação? E é este trabalho que tem de ser feito por
equipas multidisciplinares para resolução de muitos problemas complexos em
várias áreas, daí a pertinência de clarificar os conceitos apresentados.

Termino esta minha reflexão com uma mensagem de Cora
Coralina que diz “Mesmo quando tudo parece
desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou
lutar, porque descobri, no caminho incerto da vida que o mais importante é o
decidir
”.