CIÊNCIA VIVA – O céu de dezembro de 2019

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Durante o último mês de 2019, há para ver: planetas ao
anoitecer, planetas ao amanhecer, planetas a trocar de posição, uma galáxia e
um cavalo alado “por cima das nossas cabeças”, uma chuva de meteoros (que mal
se vai ver) e ainda o solstício.


Dia 4 a Lua está em quarto
crescente. Nesse dia, se em locais com céus escuros olharem para o zénite
(ponto por cima das nossas cabeças) por volta das 20:30 (ou por volta das 19:30
mais para o fim do mês), vão poder ver a galáxia de Andrómeda.

A galáxia de Andrómeda é o
único objeto visível no céu a olho nu que não pertence à nossa galáxia. Está a
cerca de 2,5 milhões de anos-luz de distância, por isso estamos a ver a luz que
esta galáxia emitiu há 2,5 milhões de anos, ou seja, na altura em que os
australopitecos ainda andavam sobre a Terra.

Andrómeda está na
constelação com o mesmo nome, mas para a encontrar, primeiro é preciso
localizar o quadrado do Pégaso. A par dos unicórnios, este cavalo alado é
provavelmente dos animais mitológicos mais conhecidos. Na mitologia grega,
Belerofonte cavalgou o Pégaso para matar a monstruosa besta Quimera. Mais
tarde, tentou usá-lo para ascender ao lar dos deuses, o Monte Olimpo, mas Zeus
enviou uma vespa para provocar a sua queda.

Entre os dias 11 e 13,
vamos poder ver dois planetas a trocar de posição, ao anoitecer, pois Vénus
está em rota ascendente no céu e a ver-se durante cada vez mais tempo. Nestes
dias vamos ver Vénus a passar para cima de Saturno, com os dois planetas a
passarem a apenas 2 graus um do outro.


Dia 12 chega a lua cheia e
apenas dois dias depois, o pico da chuva de meteoros das Geminíadas.
Infelizmente, apesar de ser das chuvas de meteoros mais intensas do ano, esta
vai ser largamente “apagada” pela Lua quase cheia na constelação de Gémeos, o
local do radiante (ponto de onde parecem emanar os meteoros) desta chuva. Mesmo
assim, em locais com céu escuros, basta tapar a Lua com a mão e será possível
ver até 20 meteoros por hora, depois da meia-noite.

Dia 19 a Lua está em
quarto minguante e dia 22, às 04:19 ocorre o solstício de Inverno. Se estiver
bom tempo, esta é a melhor noite de observação do ano, pois é a noite mais
longa do ano! O Sol no Porto nasce às 7:57 e a põe-se às 17:09, com o dia a
durar 9 horas e 12 minutos. Em Bragança o dia dura 9h08min (das 7:51 ás 16:59),
em Coimbra 9h18min (das 7:53 às 17:11), em Lisboa 9h28min (das 7:51 às 17:19),
em Faro 9h37min (das 7:42 às 17:19). Já no arquipélago dos Açores (Ponta
Delgada), o dia dura 9h33min (das 7:55 às 17:28), enquanto na Madeira
(Funchal), o dia dura 10 horas certas (das 8:06 às 18:06).

No dia 23, a Lua num
minguante quase em nova passa a 4 graus de Marte, ao amanhecer e no dia 26 atinge
a fase de lua nova. No dia seguinte, um finíssimo crescente da Lua passa a 3
graus do planeta Saturno, ao anoitecer. E no dia 28, o fino crescente da Lua
estará a 5 graus do planeta Vénus.

Festas felizes e um “vinte vinte” com muita astronomia.

Ricardo Cardoso
Reis
(Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Figura
1
– O céu à volta do Zénite por volta das 20h30 do dia 4 de dezembro 2019 (JPEG
– 165 KB)

Figura
2
– O céu virado a Sudoeste, com as posições dos planetas Vénus e Saturno (JPEG
– 83 KB)