METEOROLOGIA – Vem aí o mau tempo. Está preparado para enfrentar o “dia extremo” anunciado para quarta-feira?

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Precipitação vai aumentar e há risco de inundações rápidas. No cenário, estão também ventos fortes, neve e trovoadas, mas como diz o ditado popular “Mal vai Portugal, se três cheias não vierem até ao Natal
Margarida Cardoso
Jornalista do Expresso

A chuva promete ser intensa e ter vindo para ficar. Mas o dia mais complicado na próxima semana será quarta-feira, 19. “Uma depressão complexa e cavada poderá originar chuvas intensas e persistentes e cheias urbanas“, diz ao Expresso Mário Marques, meteorologista independente e especialista em clima, gestão de riscos naturais e ordenamento do território.
O especialista admite que a precipitação “persistente e intensa” este domingo e “em boa parte do dia 16” poderá traduzir-se em acumulações significativas, na ordem dos 80 a 100 milímetros (100 litros/m2) em menos de 36 horas, em especial durante a madrugada, nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Porto, Viseu, Aveiro, Coimbra, Leria e Santarém.
Mário Marques, ligado ao projeto de weather intelligence iClimate Adviser, uma empresa dedicada a meteorologia e climatologia a médio e longo prazo, refere mesmo “o risco de inundações rápidas e de caudal de pequenos cursos de água, dada a saturação dos solos a mais de 50 cm de profundidade“.
O quadro definido para as próximas 48 horas para Lisboa, Setúbal, Portalegre e Castelo Branco apresenta-se “menos grave“, mas também traz possibilidade de acumulação de precipitação na ordem dos 100 milímetros. Para o Algarve, o meteorologista fala de “uma excelente rega” que poderá chegar aos 70 mm.
Mas a progressão mais lenta da frente fria do que as imagens de satélite pareciam indicar atrasou o “pico” da chuva, que estava previsto para as 17 horas de hoje e deverá, agora, ocorrer durante a madrugada, a norte e centro, e durante a manhã no sul do país.
Para terça-feira, dia 17, prevê-se um “dia de transição“, com algum abrandamento, mas a 18 a chuva promete voltar em força, com vento associado (as rajadas podem chegar aos 120 km/hora), e no dia 19 há mesmo risco de cheias rápidas em meios urbanos, ribeiros e pequenos cursos de água.
Neste quadro, uma zona a seguir com atenção é a bacia hidrográfica do Douro, que poderá ser também afetada pela combinação da chuva com queda de neve, em especial do lado espanhol do caudal do rio.
Quarta-feira poderá já trazer uma acumulação da precipitação na ordem dos 150 mm a 200 mm, em especial em áreas de montanha, entre a Serra da Estrela e a região de Barroso, adianta. E aponta para “um dia extremo” e “muito complicado“, com chuva intensa, vento forte e trovoadas.
A causa? um sistema depressionário complexo que não está a fazer a evolução natural para leste, devido a um anticiclone no Continente Europeu que “está a entupir o seu progresso normal“. “Assim faz ricochete, e ganha intensidade“, explica.