ECONOMIA – Os preços de 2020. Rendas, transportes e pão sobem, luz desce

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As rendas e os transportes estão entre os bens e serviços cujo preço vai aumentar a partir desta quarta-feira, 1 de janeiro de 2020. Em contrapartida, as portagens irão manter-se, mas haverá uma descida da eletricidade de 0,4% no mercado regulado. O que também aumenta a partir de hoje é o salário mínimo nacional.

Ano Novo, Vida (e preços) Nova. 2020 arranca com a subida do salário mínimo para os 635 euros. Mas
as mudanças não se ficam por aqui. Além dos transportes e rendas, algumas
tarifas de telecomunicações também poderão sofrer subidas e, durante este novo
ano, há ainda a possibilidade de outros preços sofrerem alterações. Prepare a
carteira para 2020. 
O Governo pretende também aumentar os impostos sobre o
tabaco e introduzir uma taxa específica sobre o aquecido.
Eis as atualizações de preços previstas para
este ano:
Rendas 

O valor das rendas deverá voltar a subir em 2020, em
0,51%, menos de metade do aumento registado este ano, de 1,15%, tendo em conta
as estimativas da inflação dos últimos 12 meses até agosto.
Segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE), nos últimos 12 meses até agosto a variação média
do índice de preços, excluindo a habitação, foi de 0,51%, valor que
serve de base ao coeficiente utilizado para a atualização anual das
rendas para o próximo ano, ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU),
e que representa mais 0,51 euros por cada 100 euros de renda.
Este aumento surge depois dos acréscimos de 1,15% este ano,
1,12% em 2018, 0,54% em 2017 e 0,16% em 2016.
Eletricidade

As tarifas de eletricidade no mercado
regulado vão descer 0,4% para os consumidores domésticos a partir de hoje,
1 de janeiro, de acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos
(ERSE).

Os preços da eletricidade para as famílias que
ainda estão em mercado regulado descem, assim, pelo terceiro ano consecutivo,
mantendo-se a proposta que a ERSE tinha apresentado em outubro passado.
Esta redução de 0,4% representa uma diminuição de 18
cêntimos para uma fatura mensal de 43,9 euros, de acordo com as
contas divulgadas pelo regulador.
As tarifas de venda a clientes finais nas Regiões Autónomas
dos Açores e da Madeira vão ter uma redução de 1,0% em 2020, traduzindo a
variação média observada em média e baixa tensão.
Portagens

Os preços das portagens nas autoestradas vão
manter-se em 2020, tendo em conta a taxa negativa de inflação homóloga, sem
habitação, de outubro, divulgada pelo INE.
A fórmula que estabelece a forma como é calculado o aumento
do preço das portagens em cada ano está prevista no decreto-lei n.º 294/97 e
determina que a variação a praticar em cada ano tem como referência a taxa de
inflação homóloga sem habitação no Continente verificada no último mês para o
qual haja dados disponíveis antes de 15 de novembro, data limite para os
concessionários comunicarem ao Governo as suas propostas de preços para o ano
seguinte.
Tendo em conta a taxa de inflação homóloga de -0,13% em outubro,
excluindo habitação, no Continente haverá uma estabilização dos preços das
portagens no próximo ano.
Transportes públicos
A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT)
determinou que os preços dos transportes públicos de passageiros irão aumentar
0,38% em 2020.
Em comunicado, o regulador adiantou que “a taxa
de atualização tarifária (TAT), no âmbito da atualização tarifária
regular para o transporte público coletivo de passageiros, a vigorar
a partir de 1 de janeiro de 2020, e que tem como valor a taxa de
variação média do Índice de Preços no Consumidor, exceto habitação,
nos 12 meses que decorrem entre outubro do 2019 e setembro de
2020, nos termos dos dados publicitados pelo Instituto Nacional de
Estatística, é de 0,38%
“.
Este valor, no entanto, é contestado pela Associação
Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), por
colocar em causa “a prestação do serviço público de transportes“,
garantiu o presidente da entidade, Luís Cabaço Martins, em declarações à
agência Lusa. O organismo reivindica uma atualização de 3,96%.
Automóvel

Os veículos ligeiros a gasóleo ficam sujeitos, em 2020,
a um “agravamento de 500 euros no total do imposto a pagar“, de
acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2020 (OE2020).
Assim, segundo o Governo, “os veículos ligeiros,
equipados com sistema de propulsão a gasóleo ficam sujeitos a um agravamento de
500 euros no total do montante do imposto a pagar, sendo esse valor reduzido
para 250 euros
” relativamente a alguns veículos ligeiros de mercadorias, 
com exceção dos veículos que apresentarem nos respetivos certificados
de conformidade ou, na sua inexistência, nas homologações técnicas, um valor de
emissão de partículas inferior a 0,001 g/km
“.
No caso do ISV – Imposto sobre Veículos “as
tabelas relativas à componente ambiental são adaptadas para incorporar a
transição na homologação de consumos e emissões de adaptação
“, sendo que a
componente cilindrada é atualizada à taxa de 0,3%.
As taxas de IUC, por sua vez, (Imposto Único de
Circulação) são atualizadas em 0,3% e as tabelas e regras de imposto
adaptadas ao novo sistema de medição de CO2, revela o OE2020.
Tabaco

De acordo com a proposta de OE2020, é feito um aditamento ao
Código dos Impostos Especiais de Consumo criando um imposto sobre o tabaco
aquecido, que até agora estava sujeito ao imposto incidente sobre tabaco de
corte fino destinado a cigarros de enrolar, restantes tabacos de fumar, rapé e
tabaco de mascar.
O imposto incidente sobre tabaco aquecido tem dois elementos
(um específico relativo ao grama, de 0,0837 euros por grama, e um ‘ad valorem’
relativo à aplicação da percentagem de 15% aos preços de venda ao público),
sendo que “o imposto relativo ao tabaco aquecido resultante da aplicação
do número anterior, não pode ser inferior a 0,180 euros por grama
“.
Sobre o imposto para líquido com nicotina, usado para carga
e recarga de cigarros eletrónicos, a taxa do imposto sobe para 0,32 euros
por mililitro, face aos 0,31 euros por mililitro atual.
No caso dos cigarros, o Governo revê o imposto a que estão
sujeitos, subindo o elemento específico para 101 euros (face aos 96,12 atuais)
e descendo o elemento ‘ad valorem’ para 14% (face a 15% atualmente).
Na parte do imposto sobre charutos e cigarrilhas, o Governo
sobe o imposto por milheiro (mil unidades) para 412,10 euros no caso dos
charutos (face aos 410,87 atuais) e 61,81 euros no caso das cigarrilhas
(face aos 61,63 atuais).
Por fim, quanto ao imposto que incide sobre os restantes
tabacos de fumar, cigarros de enrolar, rapé e tabaco de mascar, o imposto não
pode ser inferior a 0,175 euros por grama, acima dos 0,174 euros por
grama atual.
Telecomunicações

As operadoras de telecomunicações MEO e NOS
admitiram, segundo o Jornal de Negócios, aumentar os preços dos seus serviços
em 2020.
No primeiro caso, a subida, com base no Índice de
Preços do Consumidor será, no mínimo de 50 cêntimos. A Nos irá atualizar alguns
serviços em 1%, de acordo com o jornal.
A Vodafone e a Nowo deverão manter os
preços, segundo a mesma fonte.
Pão

O preço do pão poderá sofrer “ligeiras correções
em 2020, apesar do valor da matéria-prima permanecer estável, num setor onde
se avizinham “tempos difíceis” com o consumidor a evitar os hidratos,
avançou a associação da indústria de panificação.
O que poderá haver são ligeiras correções de
preços e, mesmo estas, dependem de caso para caso
“, indicou em resposta à
Lusa, a secretária-geral da Associação do Comércio e da Indústria de
Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), Graça Calisto, recusando o
termo ‘aumento de preços’, uma vez que “o preço e o peso do pão são
livres
“.
Leite 

O leite não deverá sofrer alterações de preço no
próximo ano, segundo disse, ao jornal Eco, Fernando Cardoso, secretário-geral
da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac).
Não prevemos alterações significativas nos preços dos produtos lácteos no
início do ano, uma vez que não há qualquer tipo de regulação oficial do
mercado
“, de acordo com o responsável.
Gás

As tarifas transitórias do gás natural não sofrem
em janeiro quaisquer alterações, uma vez que atualização tarifária
só acontece em 1 de outubro para os consumidores que se mantêm no
mercado regulado.