O desaparecimento das Obras d’Arte

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Inundado que fui ontem, na viagem para Penacova e volta, pelas
notícias que davam conta do desaparecimento de um sem número de Obras d’Arte (pinturas,
fotografias, etc), surgiu-me um Soneto que abaixo se publica.
Se pensarmos um pouco sobre a génese do tema, nós temos que
chegar à conclusão que o Estado (entendido como o conjunto de todos nós os
portugueses) tem deixado à deriva toda uma série de serviços (nos Tribunais,
nos Hospitais, na Segurança Social, nas Forças de Segurança, nos
Estabelecimentos de Ensino) deriva essa que induz e determina uma certa postura
do deixa andar…porque se torna impossível aos nossos concidadãos funcionários
-digo bem, impossível- chegar ao fim do dia com tudo feito.
Se os funcionários não se vêm justamente pagos; se não são
actualizados retributivamente há um horror de tempo; se nem sequer têm, em
muitas situações, os meios e os materiais indispensáveis ao desenvolvimento das
suas funções, com gabarito, afinal, que motivação lhes é incutida por todo esse
Estado anónimo que somos todos os seus pares?
… e, se ao lado se verificam disponibilidades orçamentais
para tudo, para acudir aos roubos na banca, ao colapso dos gestores, às
desmandas instituídas, às obras sem nexo ou utilidade, então o problema passa a
sentido de revolta.
Mas não nos podemos esquecer que muitos amigos das falhas,
das disrupcões, das distrações e dos incumprimentos das obrigações mínimas, estão
sempre à espreita para disso beneficiarem, com ajuda ou sem ela dos Serviços
ineficazes.
Creio, pois, que terá sido isso que aconteceu, como
saberemos quando os nossos netos já tiverem barba rija, tempo estimado para a
divulgação dos resultados dos inevitáveis inquéritos.
O Mosteiro do Lorvão e as Obras d’Arte que dali foram,
vergonhosamente, retiradas, dará para outra crónica, defensores como somos do
seu regresso ao Museu que desespera.
E dizem que as “obras” fugiram
Dizem que as “obras” fugiram, que desapareceram
Mas não dá para acreditar em tamanho disparate
Estendo elas guardadas no melhor do escaparate
Não se alcança porque dessa atenção desvaneceram
As artes, em Portugal, sempre temeram
Que a sua “guarda” não fosse do “corporate”
E quiseram ter estatuto à prova de qualquer dislate
Tiveram é muito azar com aqueles que as esqueceram
Ter-se-ão, então, evaporado de vez?
Sido vítimas dos que não lhes passam cartão?
Ou escondidas bem à espera dum outro melhor talvez?
Não, terão mas é sido “encriptadas” com a mão?
Sossegadas em sítio bem guardado com arnês?
Aconchegadas ao calor das que “voaram” do Lorvão?
Luís Pais Amante
Furioso com a displicência com que o meu País trata essa
riqueza incomparável que se chama Cultura, relembrando o “saque” feito ao
Mosteiro de Lorvão, que é como quem diz a todos os Penacovenses.