Envelhecimento, o Quê?

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Alguns autores referem que um dos problemas que tem
preocupado mais os biólogos e os biólogos evolutivos é a senescência ou o
envelhecimento. Questionam qual a razão porque um organismo , após se
desenvolver de forma tão espantosa no que concerne à sua capacidade de
responder aos desafios do meio, a partir da altura em que exprime todas as suas
potencialidades, sobretudo as reprodutivas, começa gradualmente a perder as
funções vitais, a tornar-se incapaz de manter a homeostasia, declina e morre,
mesmo sem aparentes factores externos nocivos, e esta tem sido a questão por
eles colocada e que constitui motivo de curiosidade cientifica.
A maioria dos gerontologistas, refere Filho (1998), definem
o envelhecimento como a redução da capacidade de sobreviver. Referem que
constitui um processo dinâmico e progressivo, onde surgem modificações
morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas, que determinam a
progressiva perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente,
tornando-o mais vulnerável e expondo-o a um maior número de doenças que
normalmente o conduzem à morte. Já para Rose (1991), o envelhecimento é
definido como a deterioração endógena irreversível das capacidades funcionais
básicas do organismo. Segundo Reis Jr (1996), o envelhecimento foi durante
muito tempo considerado como um fenómeno patológico, resultado da “usura do
organismo” por um lado e da acumulação de sequelas de doenças e acidentes da
infância e da idade adulta por outro. E este autor refere ainda que o processo
de envelhecimento deve ser encarado de uma forma muito pessoal e individual, já
que a velhice como qualquer outra etapa da vida não surge fatalmente segundo o
mesmo horário e da mesma maneira em cada um de nós. Pode iniciar-se
prematuramente levando rapidamente a uma senilidade precoce ou por outro lado,
produzir-se mais lentamente permitindo ao idoso uma vida regrada e com
qualidade, embora dentro das limitações próprias da idade, não podendo ser
encarado como se de um marco se tratasse na vida das pessoas. A nossa vida
deverá ser entendida como um processo de contínuo desenvolvimento e mudança. De
acordo com Yanguas (1998), o envelhecimento é o efeito da passagem do tempo
sobre as pessoas e sobre as coisas. As pessoas, os grupos, as sociedades e as
culturas, desenvolvem-se com o tempo o qual afecta as nossas capacidades de
forma diferente. Então, mas afinal envelhecimento é o quê?  Diremos que envelhecer é uma característica,
por enquanto inevitável, das formas de vida mais elevadas.
Há, para todas as espécies, uma duração máxima de vida
própria de cada uma delas. Qualquer que seja esse limite ele é sempre precedido
de um período de envelhecimento, de evolução desigual e de duração variável com
a espécie.
Então podemos definir o envelhecimento como um processo de
diminuição orgânica e funcional, não decorrente de acidente ou doença e que
acontece inevitavelmente com o passar do tempo. O que quer dizer que o
envelhecimento não é em si uma doença, embora possa ser agravado ou acelerado
pela doença.
Assim, ao conceito de envelhecimento normal, contrapõe-se o
de envelhecimento patológico notório nos indivíduos cuja idade biológica é
claramente superior à cronológica.
O envelhecimento normal, apresentando embora variações
individuais decorrentes de factores genéticos e ambientais, é normalmente
uniforme em cada espécie, no respeitante ao seu início e evolução.
Existe de facto um envelhecimento biológico, sentido pelas
alterações estruturais e funcionais que ocorrem no organismo e que nem sempre é
coincidente com o envelhecimento cronológico medido pelo calendário. Da
diferença entre os dois modos de envelhecer resultam as variações físicas e
mentais que apresentam os idosos com a mesma idade. O que nos permite dizer que
são maiores as diferenças entre dois idosos com os mesmos anos do que entre
dois indivíduos mais jovens e com uma dezena de anos de diferença entre si. Tal
facto decorre de não envelhecermos simultaneamente em todos os departamentos.
Para além do envelhecimento físico e mental, podemos também
falar de envelhecimento social e da diminuição ou da perda do papel que o
individuo desempenha na família e na sociedade. E neste caso não são a
diminuição física e mental os aspectos preocupantes mas as práticas sociais e
as restrições económicas que afastam os mais velhos da vida profissional
activa, originando consequências nos planos familiar, profissional e social.
Consequências que se reflectem no equilíbrio biopsicossocial do idoso,
fragilizado nesta etapa da vida.
Há pois, para além dos 66 anos e cinco meses, quinze ou 20
anos de vida cuja qualidade pode estar comprometida por uma errada política social
ou por comportamentos e atitudes estereotipadas em relação ao fenómeno do
envelhecimento.
Na verdade, temos de perceber que o conceito de terceira
idade ainda vive amarrado à idade da reforma e os 66 anos e cinco meses surgem
como a referência, como uma fronteira. No entanto, envelhecer já não é o que
era, a sociedade mudou e, hoje, ter 70, 80 anos é muito diferente do que era há
três ou quatro décadas. “Envelhecer não é uma doença, é um processo natural.”
E por hoje termino esta crónica com o poema “Ser Idoso” de Maria
Dionésia Santos da Silva
“Ser idoso
é ter a coragem de olhar para frente
E dizer que traz consigo
um mundo de conhecimento.
Ser idoso é ser gente. Ser idoso
É poder dizer que tem a dádiva da vida
E o poder da mente
Que possui uma vasta experiência
E carrega em sua guarida
A realização e a gratidão da existência. Ser idoso,
É ser alguém consciente
Pedindo a Deus sempre mais anos de vida
Para viver com os seus
e ser uma pessoa querida.
Ser idoso,
é guardar o que sente
Do lado bom e ruim das coisas
Dos momentos que viveu
E, um dia, tristemente
Sofreu..
E num outro dia, alegremente
Viveu…
E foi feliz
Como um sábio aprendiz.
Ser idoso
É aprender, do ontem, a lição
Hoje, guardada nas eternas lembranças
Bem no fundo do coração.
Ser idoso
é ter no rosto
A marca da sabedoria
A experiência de muitos momentos
Vividos com alegria.
O que mais lhe entristece
É a falta de respeito, carinho e atenção
Dê ao nosso idoso o que ele merece
E o que queres para ti.
Não o maltrate, abrace-o de coração
Porque o que estás hoje a pedir
Num futuro tão próximo podes conseguir.
Por isso, tratar bem o idoso
É meu, é teu, é nosso dever
Não esqueça que o idoso de hoje
Amanhã pode ser você,
Basta ter vida em abundância
E nem tão cedo morrer.“


Rosário Pimentel

1 COMENTÁRIO

  1. Sua Crônica por si só já muito reflexiva, pois fala de pessoas que merecem nosso RESPEITO e, com este poema fez com que eu me emocionasse mais ainda. Obrigada por se interessar por meu poema Rosário Pimentel. Não sei de onde és, mas gostei. Sou de Santa Cruz do Piauí -PI e tenho vários outros que falam de diversos assuntos, se quiser entre em contato. E-mail= dionesia19[at]hotmail.com.