CIÊNCIA VIVA – O céu de março de 2020

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Este é um mês com poucos eventos astronómicos, mas com
alguns algo significativos, começando pelo quarto crescente de dia 2.

No dia 9 terá lugar a Lua Cheia junto à constelação da
Virgem. Uma vez que esta acontece na véspera da Lua atingir o ponto da órbita
mais próximo da Terra (o perigeu) ela parecerá ligeiramente maior (pouco acima
de 10%) do que é habitual. O nome deste género de efemérides tem um prefixo bem
maior que a sua real dimensão: são as famosas superluas.

A ocorrência destas superluas cheias tanto na primavera como
no outono podem originar marés maiores que o normal. Mas altura destas marés
depende igualmente de outros fatores como a pressão atmosférica.

FIGURA
1 – céu a sudoeste ao final da tarde de dia 9
Uma semana depois (dia 16) chega a vez do quarto minguante.
Por esta altura a Lua encontra-se junto à constelação do Serpentário (ou
Ofiúco). Esta constelação é atravessada pelo plano da órbita terrestre (a
eclíptica), mas apesar disso não faz parte do zodíaco. Tal sucede meramente por
uma mera questão de facilidade de cálculos.

Entre as madrugadas de dia 18 e 19 veremos a Lua passar da
direita dos planetas Marte e Júpiter para a esquerda de Saturno. Nesta altura
do mês esses estros nascerão por volta das quatro horas da madrugada.

Pelas três horas e cinquenta minutos (hora continental) de
dia 20 começa a primavera no nosso hemisfério. Tal sucede porque a partir deste
instante o Hemisfério Norte passa a estar virado na direção do Sol. Em
consequência disso nosso astro-rei passa a ser visto acima do equador celeste,
tendo uma posição mais alta no céu no céu que lhe permite iluminar mais esta
parte do globo do que o havia feito até agora.

FIGURA 2 –
céu a sudeste na madrugada de dia 24
Dia 24 tem lugar a Lua Nova. Nessa madrugada Mercúrio atinge
a sua maior elongação (afastamento) a oeste relativamente ao Sol, dando
bastante tempo para quem quiser observar este planeta ao final da noite. Nesse
mesmo dia Vénus atinge a sua maior elongação para leste, sendo então visível ao
anoitecer.

No século XIX surgiu a ideia de, à medida que o Sol nasce
mais cedo, adiantar-se os relógios uma hora de modo a aumentar o número de
horas de exposição solar (tal efeito é semelhante ao de quem se levanta ao
raiar da aurora). Este é o chamado horário de verão. Tal conceito é
particularmente útil em países localizados a latitudes intermédias como
Portugal. Por sua vez, no caso de países próximos do equador não há variações
significativas da duração da note. Em contraponto, em latitudes elevadas os
dias/noites podem ser tão grandes que a mudança de hora não faz nenhuma
diferença quanto ao tempo de exposição solar.

Em Portugal esta mudança de horário, do tempo universal para
tempo universal mais uma hora, ocorre no último domingo de março. Este ano tal
calha à uma hora da madrugada (hora continental) de dia 29. A partir desse dia,
e até ao último fim de semana de outubro, quem quiser observar as estrelas terá
de faze-lo uma hora mais tarde.
Boas observações!
Fernando J. G. Pinheiro (CITEUC)



Ciência na Imprensa
Regional – Ciência Viva

Figura 1: céu a sudoeste
ao final da tarde de dia 9. Igualmente é visível a posição do Sol e de 
Vénus
nos dias 20 e 28.

Figura 2: céu a sudeste na
madrugada de dia 24. Também é indicada a posição dos planetas Mercúrio e Marte
nas madrugadas de dia 16, e da Lua nos dias 16 e 21.

(imagens adaptadas de Stellarium)