ILUSTRES [DES]CONHECIDOS – António Carlos Proença de Figueiredo (1901-1990)

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António Carlos Proença de Figueiredo nasceu em S. Pedro de
Alva no dia 23 de Novembro de 1901. Estudou na Faculdade de Letras da
Universidade de Coimbra onde se licenciou em 1925 em Ciências Histórico-Filosóficas. 

Nos primeiros anos da década de
trinta do século passado esteve ligado à União Nacional, nos primórdios da sua organização, em Coimbra, onde se destacavam nomes como Bissaya Barreto, Eusébio
Tamagnini e Amadeu Ferraz de Carvalho. Também alguns artigos seus
haviam sido publicados na revista “Política”, afecta ao Integralismo Lusitano.

Ainda em Coimbra, o seu nome ficou  ligado ao Colégio Luís de Camões, que fundou em 1926 juntamente com o seu colega Joaquim Costa Henriques. instituição
que acolheu muitos rapazes de todo o país e se afirmou no panorama educativo
nacional.



Nos anos lectivos de 1928 a 1930 frequentou a Escola Normal Superior cujo curso concluiu com aprovação em Exame de Estado.

Em 1941, a convite do Ministro da Educação Nacional, Mário de Figueiredo, que ocupou o cargo entre 28 de Agosto de 1940 e 7 de Setembro de
1944, presidiu à Comissão de Reforma do Ensino Técnico, que iniciou os
trabalhos em Dezembro de 1941. Procurava-se uma demarcação entre ensino técnico
e ensino liceal. A reforma do ensino técnico-profissional, iniciada em 1941,
com aquele Ministro, culminou com a aprovação do seu regime jurídico em 1948.

Nos anos sessenta, Carlos Proença foi uma das personalidades que elaboraram
estudos preparatórios do Estatuto de Educação Nacional (Émile Planchard, Henrique
Veiga de Macedo, Delfim Santos, António José Viegas de Lima). Coube a Carlos
Proença debruçar-se sobre a “Reestruturação do Ministério da Educação Nacional”.

De 1941 até à sua aposentação em 1971, foi Director-Geral do
Ensino Técnico e após o desdobramento, Director-Geral do Ensino Técnico Profissional. Exerceu ainda as funções de Secretário-Geral do
Ministério da Educação.
Dirigiu durante alguns anos  o Boletim “Escolas Técnicas”, que se publicou
de 1946 a 1972, versando temas de acção educativa, pedagogia e didáctica .



Durante alguns anos, até atingir o limite de idade em 1971, foi  Secretário-Geral do Ministério da Educação, em regime de acumulação (gratuita). 


Dos trabalhos publicados destacam-se: Espírito Nacional e o Ensino da História – dissertação apresentada em Exame de Estado; 
Comentário Politico da Restauração – separata do boletim da BGUC; 
Estudos Preparatórios da Reforma do Ensino Técnico  – (em colaboração) – separata do boletim Escolas TécnicasO Ensino  Elementar Agrícola, sua Evolução Histórica e seus Problemas  – separata  do boletim Escolas Técnicas e Uma Reforma do Ensino Técnico e seu Desenvolvimentoseparata do boletim Escolas Técnicas.

Pelos altos serviços prestados na educação e no ensino foi agraciado
– grau de Grande Oficial – com a  Ordem da
Instrução Pública em 1947, com a  Ordem de
Cristo, em 1966 e com a Ordem de Sant’iago da Espada, em 27 de Agosto de 1971.

Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Grupo
Desportivo “A Casconha” nos anos sessenta do século passado. Sempre ligado à terra
que o viu nascer, orientou o restauro da Igreja Matriz em 1971.

Em 1985 legou à sua terra natal a obra “Notícias Históricas de
Mondalva”. Um volume de cerca de trezentas páginas, com fotografias de Varela
Pécurto, que traça a história de S. Pedro de Alva e região, área geográfica
que o autor designa por Mondalva. A edição foi promovida pelo Grupo de Amigos
de S. Pedro de Alva.

No dia 28 de Novembro de 1971 foi homenageado em S. Pedro
de Alva. A Comissão organizadora foi composta pelo Presidente da Junta, pelo
Pároco (Padre David Marques) e pelo Dr. Eurico Almiro Menezes e Castro. O orador
principal foi o Dr. Valentim de Almeida e Sousa, radicado no Porto. A
Filarmónica também participou.

Na mesa de honra estiveram, além do homenageado:  vice-presidente da Câmara de Penacova em
exercício; presidente da Câmara de Arganil; Padre Nogueira Gonçalves, Dr.
Valentim de Almeida e Sousa; Dr. Augusto Soares Coimbra; Dr. Álvaro Barbosa
Ribeiro; Ernesto Martins de Almeida e Padre David Marques. Na Casa do Povo,
onde decorreu a homenagem, foi descerrada uma fotografia de Carlos Proença.

António Carlos Proença de Figueiredo, que foi casado com
Maria da Silva Dinis, natural da Tocha, faleceu nos hospitais de Coimbra no dia 11 de Outubro de 1990. Os seus restos mortais jazem no cemitério
de S. Pedro de Alva.


 > David Gonçalves de Almeida