ILUSTRES [DES]CONHECIDOS: José Maria Viegas Pimentel (c.1907 – 1964)

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Os avós paternos de José Maria Viegas Pimentel eram penacovenses:
Luiz António Pimentel e Joaquina Clara Pimentel. O seu pai, José Maria Pereira
Pimentel (1862-1948), natural de Santo André de Poiares, foi notário em
Penacova. Sua mãe, Maria Amália Moura Viegas, era descendente da família Santos
Viegas
[1].

Estudou Medicina na Universidade de Coimbra nos primeiros
anos da década de vinte, numa época em que, entre outros, eram ali professores,
Ângelo da Fonseca, Elísio de Moura e Bissaia Barreto. Aluno brilhante concluiu
o curso com 18 valores. Enquanto estudante, pertenceu ao CADC (Centro Académico
de Democracia Cristã).

De 1932 até à data da sua morte, em 1964, viveu em S. Pedro
de Alva. Foi médico do Partido nº 2, naquela vila, subdelegado de Saúde do
concelho de Penacova e Director Clínico do Hospital da Fundação Mário da Cunha
Brito. O exercício da medicina estendeu-se também aos concelhos de Arganil, em
especial no Hospital Condessa de Canas.

Além do seu múnus no campo da saúde, distinguiu-se também
na área social, política  e cultural. Foi
presidente da Comissão Concelhia da União Nacional de Penacova, presidente da
Assembleia Geral da Casa do Povo de S. Pedro de Alva, nos primórdios da fundação
da mesma, e  em 1931 participou activamente
na Criação do Sindicato Agrícola de S. Pedro de Alva. Em 1932 presidiu à
Comissão das Festas do Padroeiro (S. Pedro). O seu nome ficou também ligado ao
Grupo Desportivo “A Casconha” de que foi um dos principais impulsionadores (em
sua homenagem o Campo de Futebol  foi
designado por “Campo Dr. Viegas Pimentel”).

Aquando da inauguração da Casa do Povo de S. Pedro de Alva, 1939 / 1940, foi alvo de uma significativa homenagem, num dia em que,
naquela vila, se ouviram foguetes e
repicaram os sinos, conforme notícia de A Comarca de Arganil. À época
era presidente da Câmara Alberto Alçada. Esteve presente, bem como outras
individualidades. Além deste, usaram da palavra: Padre David Marques, Dr.
Carlos Proença, Dr. Francisco Duarte Cunha, Dr. Valentim de Almeida e Sousa,
Dr. Sales Guedes, Dr. Fernando Vale e Dr. Alípio Barbosa Coimbra. Este médico e industrial, vincou que
o homenageado “sempre prestou culto à virtude, à honra e ao trabalho”,
salientando “o valor intelectual, a competência profissional e a honestidade de
carácter.”

Neste mesmo dia foi descerrada (pela filha, Maria Luísa) a
placa toponímica que atribuiu à Rua do Outeiro o nome de “Avenida Dr. Viegas
Pimentel”.

No dia 5 de Setembro de 1964,  poucos meses depois da morte de Viegas
Pimentel e por iniciativa do Grupo Desportivo “A Casconha”,  foi descerrada uma lápide no edifício onde
aquele médico morara longos anos com os seguintes dizeres:
“NESTA CASA VIVEU O DR. J. M. VIEGAS
PIMENTEL DE 1932 A 1964. HOMENAGEM DO GRUPO DESPORTIVO “A CASCONHA”, CONSTITUÍDO POR SUA INSPIRAÇÃO. 5.IX.965 “.
Usaram da palavra o Dr. Carlos
Proença e o Dr. Álvaro Barbosa Ribeiro.Na véspera tinha sido feita uma romagem ao cemitério de Pinheiro de Coja e celebrada uma Missa em sua memória.

Como referimos, José Maria Viegas Pimentel faleceu nos
Hospitais da Universidade de Coimbra no dia 22 de Maio de 1964. O cortejo
fúnebre, com cerca de uma centena de automóveis, dirigiu-se para o Cemitério de
Pinheiro de Coja, onde os seus restos mortais repousam em jazigo de família.

José Maria Viegas Pimentel era casado com Arminda Borges
Abranches Rocha e pai do Engº João José Rocha de Moura Viegas Pimentel[2], e de Maria Luísa Viegas
Pimentel. Era irmão de Manuel Viegas Pimentel, Juiz, de Abraveia, Vila Nova de
Poiares.

Por altura do seu falecimento o jornal Notícias de
Penacova
escreveu que Viegas Pimentel fora “um homem bom, dinâmico,
possuidor de altas qualidades, médico distinto e grande amigo dos pobres”.

> David Gonçalves de Almeida


[1] Esta
família  oriunda de Seia teve representantes
de renome, entre os quais, Manuel Tomás dos Santos Viegas (1787-1847), doutor
em Teologia, Cónego da Sé do Porto e Vigário Geral em Viseu, que morreu na
Rebordosa. Outro seu irmão, Luís Tomás dos Santos Viegas (1789-1853) foi Lente
da Universidade de Coimbra e Doutor em Cânones. Também um seu sobrinho,
Alexandre Manuel Tomás dos Santos Viegas (1831-1864), nascido na Rebordosa,  foi cónego da Sé de Faro, onde morreu, e
encontra-se sepultado  na Igreja de Lorvão, anexa ao cemitério. Era tio
de Maria Amália Moura Viegas, mãe de José Maria Viegas Pimentel.

[2] Pai do Dr. António Manuel Filipe Rocha Pimentel, até há pouco tempo, Director do Museu Nacional de Arte Antiga.