CIÊNCIA VIVA – O céu de abril de 2020

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Este mês começa com uma visita do planeta Vénus às Plêiades,
o enxame de estrelas também conhecido como “as moscas” do Touro, ou o “Sete
Estrelo
”. Entre os dias 2 e 5, o movimento aparente de Vénus no céu vai
levá-lo a atravessar este grupinho de estrelas. Vénus é o pontinho luminoso
mais brilhante do céu, logo ao anoitecer.
O anoitecer de dia 8 trás consigo a lua cheia. A lua cheia
está diametralmente oposta ao Sol, no céu, por isso a Lua nasce quando o Sol se
põe, e põe-se quando o Sol nasce.
No dia 14, a Lua atinge o quarto minguante. Nesse mesmo dia,
antes do nascer do Sol, há uma autêntica linha reta de objetos do Sistema Solar
no céu, a começar na Lua, passando por Júpiter, Saturno e terminando em Marte.
Durante os dois dias seguintes, a Lua, que se move cerca de um palmo no céu por
noite, vai passar por estes três planetas. No dia 15 está entre Júpiter e
Saturno a formar um triângulo, a cerca de 4 graus de ambos. No dia 16, já está
no “fim da fila” e passa a cerca de 2 graus de Marte.
O pico da “chuva” de meteoros das Líridas está
previsto ocorrer entre as 22:30 de dia 21 e as 09:30 de dia 22, com maior
probabilidade de ocorrer por volta das 7 da manhã. No pico, o número de
meteoros por horas deve rondar os 18, mas esta é uma chuva com máximo variável,
que pode chegar até aos 90 meteoros por hora (em céus escuros). Por isso,
apesar da constelação da Lira só nascer por volta das 23:00, pode valer a pena
olhar para o céu a partir do anoitecer. Este será um bom ano para procurar
Líridas no céu, pois a Lua está praticamente nova, fase que atinge no dia 23.
No dia 26 um finíssimo crescente da Lua passa a 6 graus de
Vénus, ao anoitecer. Por fim a Lua atinge o quarto crescente no último dia de
abril.
Mas há ainda algo de potencialmente interessante no céu – o
Cometa C/2019 Y4 (ATLAS), ou cometa ATLAS para os amigos. Este cometa tem
aumentado de brilho muito mais rapidamente do que o esperado e pode tornar-se
visível a olho nu no final de abril ou início de maio. Neste momento já tem
magnitude menor do que 8 e por isso, se estiverem fora das grandes cidades, já
é possível vê-lo no céu através de binóculos, ou em alternativa, fotografá-lo
com uma teleobjetiva e um tempo de exposição relativamente curto.
Para o encontrarem durante abril, basta virarem-se para
Norte ao anoitecer e inclinarem o vosso instrumento cerca de 60 graus. Depois,
tracem uma linha imaginária da ponta da cauda da Ursa Maior até à estrela
brilhante à esquerda, a estrela Capela, na constelação do Cocheiro. O cometa
será uma manchinha algures a meio, embora se desloque cada vez mais para o lado
de Capela, conforme o mês avança.
Boas observações.
Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de
Astrofísica e Ciências do Espaço)