COVID – 19 – Primeiro lojas e cabeleireiros, depois restaurantes e bares e no fim há shoppings e futebol: eis os prazos da reabertura do país

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Primeiro-ministro recebeu parceiros sociais e ainda ouve os partidos, para explicar como vão ser as três fases do plano de retoma da economia. Primeiros detalhes já são conhecidos, mas há espaços em branco (e decisões por fechar). Eis o que já se sabe e como parceiros e a oposição reagiram.

A primeira reunião foi de manhã, com todos os parceiros sociais em video-conferência e os membros do Governo na Residência Oficial de São Bento. António Costa quis envolver todos na preparação do plano de regresso da economia, que tem grau de risco elevado: por um lado, pode abrir novos focos de contaminação, por outro, revelar-se pouco para segurar muitas empresas, algumas obrigadas a esperar mais tempo para reabrir, todas forçadas a manter regras de saúde pública que não permitirão as receitas de antes. A partilha de informação antes de o Governo fechar todos os detalhes tem um objetivo: partilhar informação e alguma responsabilidade pelo que virá.
Mas o que se sabe já tem algum detalhe – e confirmações de alguns dos presentes nas reuniões desta quarta-feira: parceiros sociais e partidos da oposição, que o Governo está a ouvir desde o início da tarde.
O primeiro a confirmar informações foi António Saraiva, líder da CIP. O líder dos patrões confirmou que o Governo vai avançar com um plano de desconfinamento em três fases, para ir medindo efeitos (económicos e de saúde) de 15 em 15 dias, prometendo partilhar informação com todos com essa regularidade.

PRIMEIRA ETAPA

Assim, dia 4 de maio entramos na fase 1: “Será a abertura do comércio local, aqueles estabelecimentos que têm porta aberta para a rua, espaços comerciais até 200 m2” – informação entretanto confirmada por Rui Rio, também à saída de São Bento. Mas também reabrirão “cabeleireiros e barbeiros”, sendo que estes, confirmou o Expresso junto de outra fonte, só por marcação, e com regras definidas de lotação máxima do espaço.
Mais, para a fase 1: comércio automóvel, serviços de atendimento ao público não concentrados” – ou seja, excluindo as Lojas do Cidadão, por exemplo, explicou já na TVI24. O Expresso confirmou que entre estes serviços (como conservatórias) poderão ter atendimento apenas por marcação.
As livrarias, por exemplo, estarão incluídas neste lote da primeira fase. E sabe-se que os transportes públicos também terão novas regras e limitações (para além de preços repostos). O teletrabalho, nesta fase, manter-se-á sempre que possível, mas não se sabe se como obrigatório.
Nesta fase passam a ser permitidos desportos individuais, com balneários fechados. Também pode abrir nesta altura o jardim zoológico e os parques – um detalhe que ainda pode ser avaliado no Conselho de Ministros de quinta-feira.
Todos estes serviços terão de manter regras de distanciamento estritas, como o uso de máscaras e a garantia de desinfeção e de espaço para que as pessoas não se cruzem. Mas esses detalhes ainda estão a ser afinados. Segundo confirmou o Expresso, por exemplo as associações de cabeleireiros, transportes coletivos, sector automóvel e outros fizeram chegar à DGS planos para reabertura de atividade que estão a ser analisados na perspetiva da garantia de segurança para trabalhadores e clientes.

SEGUNDA ETAPA

A fase 2 começa a 18 de maio, se o curto não voltar – Costa avisou em todas as reuniões que fica em aberto a hipótese de congelar os planos ou até recuar na ‘libertação’ se houver descontrolo. E incluirá, segundo António Saraiva, “lojas até 400 m2, e as escolas – neste caso limitadas ao 11º e 12º anos, como anunciou Costa há duas semanas. No que respeita às lojas, segundo o Observador e JN, as autarquias poderão ficar com o poder de abrir também superfícies maiores, mas também ficarão com a responsabilidade de garantir que as regras de distanciamento e de saúde pública serão cumpridas – ou seja, garantindo segurança nesses espaços.
Aqui abrirão também museus, galerias de arte e outros espaços culturais, com limites de lotação.
Também avança aqui a abertura de restaurantes (confirmados por Rui rio para esta data) e bares, com regras de lotação definidas cujos moldes estão ainda a ser negociados com Governo e ARESP.
Avança também aqui a abertura de alguns espaços culturais e espetáculos, com limitação de lugares. Ainda não há detalhes sobre exatamente quais serão.
Por fim, a meio de maio também será dado um “primeiro passo nas creches”, segundo o líder dos patrões. Ao que o Expresso apurou, nesta fase os pais poderão ainda optar por manter as crianças em casa, se assim o desejarem. O que, confirmando-se, implica que o Governo mantenha o apoio aos pais que fiquem em casa.

TERCEIRA: O NOVO NORMAL

Quanto à fase 3, a 1 de junho, o líder dos patrões não detalhou. Mas é fácil, por exclusão de partes, perceber que se incluirão aqui os centros comerciais – sendo que nas grandes superfícies terão regras estritas. Exemplo: nas lojas de roupa, provar será proibido ou, se for permitido, a roupa terá de ser desinfectada antes de voltar a ser colocada em loja. Também abrem nesta altura as lojas do cidadão. António Costa também já disse que os ATL’s poderão voltar nesta fase, que é quando começam as atividades de verão fora dos estabelecimentos.
De acordo com outro dos ‘convidados’ de António Costa nas reuniões de hoje, em junho haverá uma outra novidade: teletrabalho começará a ser levantado, progressivamente, com indicações para que as empresas, tanto quanto possível, encontrem turnos diferentes para que não se cruze toda a gente no mesmo espaço ao mesmo tempo.
Por esta altura também podem voltar os jogos de futebol, provavelmente sem espectadores – informação avançada também pela SIC. Ainda não há detalhes sobre exatamente quais serão, mas o Expresso apurou que entre 30 e 31 de maio será eventualmente retomado o campeonato de futebol e marcada a data para a Final da Taça.
Há ainda vários pontos em abertoa abertura de igrejas ainda não está definida (embora Costa já tenha lançado o processo com o Cardeal Patriarca de Lisboa); a abertura de discotecas nem sequer foi equacionada; férias, hotéis e alojamentos não foram abordados e estão a ser alvo de regulação específica com a Confederação do turismo.
Originalmente publicado no Expresso – Acesso exclusivo a assinantes