Envelhecimento, Porquê?

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Se o
início e as etapas do envelhecimento assentam em alterações estruturais e
funcionais suficientemente significativas e evidenciáveis, as causas e a
natureza do processo estão ainda longe de se considerarem esclarecidas.

A
genética, cujo papel fulcral é unanimemente aceite, não nos revelou ainda os
segredos dos mecanismos do envelhecimento, cuja natureza, continua a
ignorar-se.
Na
tentativa  de explicar o processo de
envelhecimento, foram surgindo ao longo do século XX várias teorias
explicativas.

Em
1990, Medvedov contabilizou cerca de 300 teorias que, desde o século XVIII,  procuram explicar o envelhecimento e os seus
mecanismos. Agrupou-as em sete categorias, de acordo com as suas afinidades
teóricas e que são:
 
    1. Teorias
      do desgaste;
    2.  Teorias
      do dano;
    3. Teorias
      da programação genética;
    4.  Teorias
      evolucionistas;
    5.  Teorias
      das alterações específicas;
    6. Teorias
      físico-matemáticas;
    7. Teorias
      unificadas.

Na
base de todas as teorias está a tentativa de clarificar a morte celular,
fenómeno central de todo o envelhecimento.

As
experiências de Hayflick, a partir de 1961, constituem um marco fundamental na
Gerontologia ao estabelecerem o paradigma e o modelo experimental do
envelhecimento celular, contrariando e afastando em definitivo a ideia, até
então dominante, da imortalidade da célula proposta por Alexis Carrel.

Ao
estabelecer que as células normais, mesmo em meio de cultura adequado, têm a
sua sobrevivência limitada a um número total de duplicações que decresce
regularmente com a idade do dador da célula, Hayflick abre caminho para a
explicação do envelhecimento como incapacidade progressiva das células para
assegurarem a sua substituição, com a morte consequente.

O
envelhecimento do organismo é assim assimilável ao envelhecimento celular, cujo
termo seria a morte da célula. Tratar-se-á de um fenómeno programado para todas
as células? Que papel desempenha no envelhecimento e na morte celular os
desequilíbrios, particularmente o cálcico, as agressões dos radicais livres ao
ADN, a degenerescência mitocondrial e consequentes alterações da energia
celular e tantos outros.

É
possível que as alterações do envelhecimento decorram de modificações do
genoma, codificadas e não codificadas, estas induzidas por factores da própria
célula ou a ela estranhos.

Sejam
quais forem esses factores,  a sua acção
é nociva, progressiva e irreversível, determinando a incapacidade permanente de
adaptação da célula e do organismo à envolvente ambiental, incapacidade que
alguns investigadores consideram ser a expressão última do envelhecimento.

O
envelhecimento seria assim o resultado da interacção entre o genoma e os factores
ambientais. O primeiro ditaria a longevidade do indivíduo. Os factores
ambientais condicionariam o atingir dessa longevidade – envelhecimento normal –
ou determinariam o seu encurtamento e agravamento – senescência.

Moreira
em 2005 refere que as teorias do envelhecimento distinguem os aspectos
fisiológicos e patológicos, sendo, contudo, difícil distinguir entre o
envelhecimento primário( geneticamente determinado e imutável, relacionado com
a idade) e o envelhecimento secundário atribuído a factores pessoais que podem
ser sujeitos a mudanças.

Pese
embora a existência de várias  teorias
que tentam explicar essas alterações, nenhuma pode ser considerada completa, no
sentido de abarcar a totalidade do processo de envelhecimento.

Com
os avanços científicos e tecnológicos, nomeadamente no campo da genética,
muitas teorias poderão ser questionadas e até desprezadas, essencialmente no
campo biológico. A verdade é que muitas das teorias de envelhecimento poderiam
ser apenas consideradas como factores que o podem influenciar, mas de facto
nenhuma por si só consegue explicar em que consiste este fenómeno, não podendo
por isso ser descartadas.

Uma
outra questão que poderá vir a ter influência social e económica sobre o
problema do envelhecimento, é a descoberta de genes responsáveis pelas doenças,
que podem vir a ser identificados de modo a prevenir e/ ou tratar as doenças,
essencialmente, através da terapia genética, o que pode influenciar grandemente
a morbilidade e a mortalidade das pessoas, melhorando assim a sua qualidade de
vida na velhice. E por hoje termino esta minha reflexão com um poema de Inda
Oliveira com o tema “ Eu nunca vou Envelhecer…”

Eu nunca vou envelhecer…
Eu nunca vou
envelhecer
porque eu vou ter
sempre um sorrisão no rosto
mesmo se tudo estiver
indo mal.
E as minhas lágrimas
sempre serão cheias
de drama e melancolia
como na época da
adolescência.
Eu nunca vou envelhecer
porque mesmo quando
as rugas
insistirem em
aparecer
e elas vão aparecer,
mesmo assim ainda
serei uma menina.
Uma menina feliz,
sorridente e brincalhona
de dar inveja em
muita jovenzinha fútil
que acha que ser
feliz é sair por aí
e beijar na boca de
todo mundo.
Eu nunca vou
envelhecer,
principalmente porque
no meu coração
sempre haverá amor,
um amor que me faz
mais jovem, todos os dias.
Um grande amor pela
vida, pela família
e pelos verdadeiros
amigos.
Um amor especial,
que me fará
eternamente jovem.
E quando o tempo
quiser me provar o contrário…
Darei a ele o meu
sorriso mais jovem,
porque eu,…
Eu nunca vou
envelhecer!

Rosário Pimentel