CIÊNCIA VIVA – O céu de maio de 2020

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Tal como sucede todas as primaveras, mais uma vez voltamos a passar perto do rasto do cometa Halley. Assim pequenas poeiras e rochas libertadas por esse cometa voltarão a cair na nossa atmosfera, parecendo irradiar de uma parte do céu junto da estrela eta da constelação do Aquário.

Fotografia de longa exposição onde se vê a Via Láctea e uma
chuva de meteoros – João Tomás (Tempo.pt)
Embora seja visível durante boa parte de maio, o máximo de atividade da chuva de estrelas Eta Aquáridas (o nome desta efeméride), tem lugar na noite de dia 5 para 6. Este máximo de atividade estende-se ao longo de vários dias. No entanto, mesmo em condições ideais não é possível observar mais do que algumas dezenas de meteoros por hora. Este número é dramaticamente reduzido nos centros urbanos cada vez mais flagelados pela poluição luminosa.

Céu a leste ao final da madrugada de dia 6
A Lua cheia terá lugar no dia 7. Por ocorrer um dia depois de ter atingido o perigeu, o ponto da sua órbita mais próximo da terra (a 360 mil quilómetros de nós) esta parecer-nos-á ligeiramente maior (cerca de um décimo) do que é habitual. Esta é o que chamamos de súper Lua Cheia, sendo a última deste ano.

Ao final da madrugada de dia 12 veremos como a Lua se vai aproximando dos planetas Júpiter e Saturno. A partir desta altura do mês o planeta Mercúrio será visível ao anoitecer.
No dia 14 tem lugar o quarto minguante. Nessa noite o nosso satélite natural será visto ao lado do planeta Marte, na constelação do Aquário.

céu a poente ao início da noite de dia 15
A Lua cheia terá lugar no dia 22. Por esta altura do mês os planetas Mercúrio e Vénus estarão tão próximos um do outro, que apenas distarão um grau (a largura do dedo mindinho visto com o braço esticado). Duas noites depois a Lua ter-se-á aproximado a estes planetas.

Ao longo do ano o cometa C/2019 Y4 (ATLAS), ou cometa Atlas, tem vindo a aproximar cada vez mais de nós. O nome deste cometa deve-se a que foi descoberto pelo projeto de procura de asteroides “Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System” (ou ATLAS). De notar que ao ficar cada vez mais perto do Sol, parte dos gelos deste cometa têm-se sublimado o que está a levar a sua desintegração. Se não ficar completamente destruído antes disso, a maior aproximação deste cometa à Terra terá lugar no dia 23, passando a 116 milhões de quilómetros. A observação deste cometa requer o uso de um telescópio ou então de binóculos com uma grande abertura.
A terminar este mês de eventos astronómicos teremos o quarto crescente de dia 30.
Boas observações!
Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC)