COVID 19 – Médicos dizem que viseiras não substituem máscaras e querem mudança da lei

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A
Ordem dos Médicos e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas alertam para os
riscos que a utilização de viseiras, em vez de máscaras, representa em termos
de saúde pública e pedem que o governo altere a legislação.
Num comunicado
conjunto, consideram que a legislação publicada a 01 de maio, que equipara as
máscaras às viseiras, pode comprometer os resultados obtidos até agora no
combate à pandemia da covid-19 pois a viseira “é um bom elemento de proteção a
nível ocular, confere alguma proteção das vias áreas a quem a usa, mas não
confere proteção às outras pessoas”.
Não existem
estudos sólidos sobre o impacto da utilização da viseira, como alternativa à
máscara, na redução do risco de contágio pelo novo coronavírus em termos de
infeção através das vias aéreas
”, insistem.
A posição das
escolas médicas e da Ordem dos Médicos está em linha com a da diretora-geral da
Saúde, que na segunda-feira alertou que as viseiras de proteção facial não
dispensam a utilização de máscara, considerando que, apesar da sua utilidade,
devem sempre ser complementadas por um “método de barreira que permita tapar a
boca e o nariz”.
[A viseira]
protege muito bem os olhos, protege muito bem o nariz, mas já não protege tão
bem, porque é aberta em baixo, [as] gotículas expelidas através do espirro, da
tosse, ou mesmo da fala
”, explicou Graça Freitas.
A OM e o
Conselho de Escolas Médicas Portuguesas recordam que quem utiliza uma máscara,
para além de se proteger, a pessoa está a proteger o outro, e vice-versa” e
insistem que “a utilização de viseira não deve dispensar o uso em simultâneo de
outros equipamentos de proteção individual adequados, como a máscara
”.
O decreto-lei
n.º 20/2020, publicado no dia 01 de maio em Diário da República, definiu a obrigatoriedade
do uso de máscaras ou viseiras para o acesso ou permanência nos espaços e
estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, nos serviços e
edifícios de atendimento ao público e nos estabelecimentos de ensino e creches,
além dos transportes públicos.
A OM e o
Conselho de Escolas Médicas recomendam que o artigo referente às máscaras e
viseiras seja alterado e que passe a considerar obrigatório o uso de máscaras,
reservando as viseiras para proteção adicional ou, em circunstâncias
excecionais, quando for impossível o uso de máscaras.
Numa altura
em que vários estabelecimentos estão a contactar os seus clientes partilhando a
informação tecnicamente incorreta, o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas e
a Ordem dos Médicos pedem que Governo reveja o diploma com caráter de urgência
para não comprometer o regresso progressivo das várias atividades
”,
acrescentam.
Os últimos
dados oficiais indicam que Portugal regista 1.063 mortos relacionadas com a
covid-19 e 25.524 casos de infeção.
O novo
coronavírus, responsável pela covid-19 já provocou mais de 250 mil mortos e
infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo.
Mais de um
milhão de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.