ILUSTRES [DES]CONHECIDOS – Vìtor Manuel Lopes Matias (1938-2011)

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O pintor Vítor Matias nasceu no concelho de Penacova, na
localidade de Porto da Raiva, no dia 15 de Outubro de 1938. Filho de Adoindo
Lopes Matias e de Júlia Vieira Lopes Matias, proprietários da Fábrica de
Serração existente naquele lugar.

Aí viveu até aos 8 anos, idade com que foi viver com os
avós para Caxarias e Tomar. Nesta cidade, frequentou o Colégio Nun’Álvares, onde foi
aluno do Arquitecto Mota Lima (João Pedro de Figueiredo de Mota Lima, projectista
de muitas igrejas da região, entre as quais a de Caxarias, inaugurada em 1958).
Foi com Mota Lima que fez a sua iniciação e preparação básica no campo da
pintura, apesar de já pintar desde os oito anos e de ter, no âmbito escolar, exposto
 em Tomar, com apenas onze anos.

Depois de Tomar, frequentou o Colégio de Santa Comba Dão e
fez os estudos liceais em Coimbra.

Nesta cidade, teve como mestre José Contente (José de
Campos Contente 1907- 1957 – pintor e professor de pintura que se notabilizou
no campo do desenho e da gravura) e trabalhou também com Carlos Ramos (1912-1983).

Foi um dos fundadores do Círculo de Artes Plásticas, no Museu
Machado de Castro, onde contactou com Valdemar da Costa (1904 -1982). Poucos
penacovenses saberão que este importante pintor luso-brasileiro tinha raízes em
Lorvão. Na verdade, era filho de Evaristo Lopes Guimarães, de quem já falámos
nesta rubrica. 
Pertenceu também ao Movimento de Artistas de Coimbra (MAC).

Vítor Matias enriqueceu a sua formação frequentando cursos no estrangeiro. Em Espanha, fez o Curso Art-Tec, patrocinado pelo Ministério da
Educação daquele país, e em Aix-en-Provence (França) cursou Aguarela e Óleo.

Em 1954 expôs desenho e pintura em Santarém e passados dois
anos participou na exposição de pintura “Os Novos de Coimbra”, marco importante
da sua carreira de pintor.

A partir daí participou em inúmeras exposições, individuais
e colectivas, em Portugal, Espanha, EUA e França.

Em Agosto de 1986 expôs no átrio
da Câmara Municipal de Penacova aquando do Di
a do Folclore e Promoção Turística.
Voltou a expor no mesmo espaço em Dezembro de 1992. 


As suas obras estão presentes  no Museu de Belas Artes de Badajoz, na Câmara
Municipal de Saint- Mark-Jaumegarde (Aix-en Provence). No nosso país: Museu
Abel Manta (Gouveia), Museu de Alcochete, Museu Carlos Reis (Torres Novas), Museu
Dionísio Pinheiro (Águeda), Museu de Lamego, Museu Laura dos Santos (Torres
Novas), Museu Maria da Fontinha (Castro Daire), Museu Roque Gameiro (Minde),
Museu Pombalino e Museu Martins Sarmento (Guimarães), entre outros.

Representado em inúmeras colecções particulares nacionais e estrangeiras. A Câmara
de Penacova possui um quadro de Vítor Matias representando o Mosteiro de
Lorvão.

Irmão do pintor e músico Humberto Matias, era casado com
Maria Branco Malheiro Coutinho Vilar Matias, professora do Ensino Secundário e
pintora, ligada ao grupo “Pintoras de Coimbra” 
(ainda não há muito tempo expôs em Arganil e em 2019
ofereceu à Câmara de Coimbra um conjunto de livros do marido, bem como algumas
colecções de litografias).

A respeito de Vítor Matias escreveu Pedro Olayo (Filho), em
1983:  
“Vítor Matias é um artista imaginativo e sensível, que pinta com
serenidade e humanidade. A sua arte é o
 sentimento puro das vivências expressadas com
autenticidade numa pintura consciente e bem feita.”

A terminar, ficam as
quadras da poetisa Luz Videira,
inspiradas na obra deste pintor penacovense: 
“Mas já o sol surgia: / secreto e meigo a
inundar a retina / do espaço de aventura e de mistério / duma cidade envolta em
neblina. // Nasceram depois rosas e cinzentos / vieram tons de pólen e de fogo / e
pescadores de sonhos e de brumas / povoaram o mundo desde logo.”

Vítor Manuel Lopes Matias, a quem o Município de Penacova atribuiu a Medalha de Mérito Cultural, em 1993,  faleceu em Coimbra em 2011.

>DAVID GONÇALVES DE ALMEIDA

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