ILUSTRES [DES]CONHECIDOS – Waldemar da Costa [Guimarães] (1904 – 1982)

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Auto-retrato, 1944

Nome grande da Pintura no Brasil e em Portugal, poucos
penacovenses saberão que Waldemar da Costa era filho de um lorvanense ilustre.
Em Lorvão terá passado alguns dias da sua infância e juventude, depois de ter
vindo para Portugal com a família em 1910.

Waldemar da Costa Guimarães nasceu em Belém do Pará (Brasil)
no dia 11 de Junho de 1904. Filho de Evaristo Lopes Guimarães e de Francisca
Guilhon de Oliveira da Costa Guimarães era neto paterno de João Lopes Guimarães
e de Maria Emília da Costa e Silva, comerciantes em Lorvão, e materno de José
Frazão da Costa.

Em 1910 a família Guimarães, que no Brasil havia feito
fortuna com o negócio da borracha em Manaus,  veio para Lisboa onde passou a viver num luxuoso
palacete na zona de Picoas. Waldemar tinha então 6 anos. Por essa altura também
a casa de família em Lorvão teve obras de vulto, adquirindo a fisionomia que
ainda hoje conserva. Pelos montes e vales de Lorvão e Gavinhos (temos
conhecimento através de  cartas de José
Tagarro) andou muitas vezes, passeando com aquele amigo e colega de Belas Artes,
em períodos de férias. Estudou em Paris, regressou à terra natal, voltará para
Portugal nos anos cinquenta/sessenta, mas será em Curitiba (Brasil) que virá a
falecer.   

Em 1923 iniciou os estudos de desenho e aguarela com
Martinho da Fonseca e João Alves de Sá e, no ano seguinte,  matriculou-se na Academia Nacional de Belas
Artes, onde foi aluno de Carlos Reis e de outros mestres. Em 1928 interrompeu o
curso, que não concluiu. No ano de 1930 fixou-se em Paris onde frequentou
academias livres, foi aluno de Eduardo Viana e conheceu grandes pintores. No
seu atelier parisiense trabalhou com Portinari, grande pintor brasileiro. Deste
pintor é um retrato de Waldemar da Costa que se encontra exposto no Museu de
Carregal do Sal.

Volta ao Brasil em 1931 e em 1936 monta o seu atelier numa
sala do Teatro Municipal de S. Paulo, cedida pelo Departamento de Cultura. Nessa
época, inicia a atividade de professor de pintura e funda a “Família Artística
Paulista – FAP” (1937) que passou dirigir dois anos depois.  Foi professor no Liceu de Artes e Ofícios de
São Paulo.Em 1954 foi contratado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo –
MAM/SP para dar aulas de pintura.

Retornou a Portugal em 1956, ensinando em diversas
instituições, entre as quais o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC),
criado em 1958. Em 1960 foi condecorado cavaleiro da Ordem do Infante Dom
Henrique (Portugal) e assumiu o cargo de assessor do adido cultural da
Embaixada do Brasil em Lisboa. Dois anos depois foi bolseiro da Fundação
Calouste Gulbenkian em Itália.

Em Janeiro de 1956, Waldemar Costa fixou residência em
Lisboa, permanecendo em Portugal até julho de 1966. Nesses dez anos, desenvolveu
intensa actividade, participando em diversas exposições colectivas, e também individuais, em Lisboa (1956, 1964, 1966), Coimbra (1959, 1966), Madrid (1961) e Belém do
Pará (1963).

Volta para São Paulo em 1963, vivendo depois no Rio de
Janeiro (1976 a 1980) e em Curitiba (1980 a 1982). Nesta cidade do Paraná recebeu
o título de cidadão honorário e viveu os seus últimos três anos de vida, ao
lado da mulher, Zoraide Vasconcelos.

É impressionante o número de exposições que fez em Portugal
e no Brasil, bem como o volume e a qualidade das suas obras. Em 1972 realizou-se
uma exposição retrospectiva e de homenagem, no Museu de Arte Moderna de São
Paulo, reunindo 124 obras executadas entre 1928 e 1972. O s
eu último trabalho artístico terá sido um retrato
de Ricardo Krieger, prestigiado pintor paranaense, mas devido a certas  críticas e elogios ao quadro, o autor pura e simplesmente o
destruiu. 


Waldemar da Costa, cuja longa trajectória artística evoluiu
do figurativismo à abstracção geométrica, disse um dia que “participando de uma
época em que tudo é tão material e prático” procurava “criar um mundo técnico”
em que o homem não abandonasse “o sonho, através de formas e movimentos dados
por efeitos luminosos.” 

Faleceu aos 78 anos de idade, em Curitiba, em 9 de Agosto
de 1982.
 

Segundo o próprio, passou por diversas fases a sua obra:  pintura de representação objectiva,  expressionismo,  construção purista, geometrização ainda figurativa, abstracção lírica, construção geométrica, impondo-se, por fim os temas Estático-Semovente e Movimento.

> DAVID GONÇALVES DE ALMEIDA