POESIA – Eu sou o Nody

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Cão rafeiro castanho
Com pelo sem tamanho
Queimado na barriga e no rabo
Por fogo malvado
Costumo ajudar a guardar gado
Acompanhando o meu dono José
Num Sábado destes
Senti-me perdido
Desnorteado
Amedrontado
Quando na minha aldeia
Todos ficaram com a ideia
De que o mundo ia ali acabar
Porque o vento correu sem alento
A trovoada não tinha granizo
Os relâmpagos estavam mesmo sem juízo
E o fogo corria sem freio
Queimando tudo o que encontrava de permeio
Quando as pessoas ficaram transtornadas
Um pisou-me sem perícia
E eu fui contra um ‘tis são
Que me queimou
No meio da confusão uns quiseram fugir
E outros ficar sem dormir
Eu receoso e com dores
Escondi-me debaixo dum carro de bois
Que já não tem animais
E por lá fiquei só com os meus ais
O meu dono chamou por mim
Andou à minha procura
E queria que eu fosse com ele
De carro pela 236
Pr’a sobreviver
Mas eu, desconfiado, não lhe respondi
Só que agora fiquei muito triste
Desmoralizado
Porque ouvi dizer
Que ele, afinal, fugiu mas foi para morrer
Luís Pais Amante