FAKE NEWS – CNCS e Lusa lançam curso ‘online’ para formar cidadãos ‘ciberinformados’

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O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e a agência Lusa
lançaram um curso `online` gratuito para dotar os portugueses de ferramentas
que permitam navegar pelo `mar de desinformação na web` e distinguir o que é
jornalismo e informação fidedigna.

Cada vez que uma pessoa utiliza um computador ou um
`smartphone` é inundada por centenas, talvez até milhares, de conteúdos, mas
parte desta informação não é fidedigna e há “notícias” que não o são.
Foi com esta problemática em mente que a Lusa e o CNCS se juntaram para lançar
hoje o curso “Cidadão Ciberinformado“, com o intuito de ajudar as
pessoas a perceber melhor o conceito de `fake news` e de desinformação, e
identificarem a veracidade de uma notícia ou de qualquer outro tipo de
publicação digital.
É possível fazer a inscrição nesta formação através do daqui.
Sentimos a
necessidade de criar este curso no ano em que tivemos três eleições em Portugal
(2019), as eleições europeias, as eleições legislativas e as eleições
regionais, e também decorrente de uma recomendação da Comissão Europeia (CE) de
combater a desinformação, que, de alguma forma, apontava como instrumento de
combate às `fake news` e fenómenos associados a aposta na literacia digital e
no incremento da literacia mediática
“, explicou o coordenado do CNCS,
Lino Santos.
O responsável explicou que esta formação e-learning
gratuita, que não tem limite de inscrições, é orientada “a qualquer tipo de utilizador“,
independentemente da idade, e visa dotar as pessoas de “um sentido crítico no consumo de informação
na internet.
Os módulos podem ser feitos “de uma assentada” e,
nesse caso, o tempo de conclusão previsto é de três horas, pelo que no final os
participantes que obtiverem uma classificação mínima de 75% vão poder
descarregar um certificado.
Contudo, as pessoas podem “ir fazendo aos pedacinhos, módulo a módulo“, sendo essa “uma das vantagens” destas
formações pela `web`, prosseguiu Lino Santos.
É essencial que
Portugal tenha um jornalismo profissional, eficaz, e que, de facto, se assuma
como o quarto pilar da democracia. Nesse sentido, temos de fazer um trabalho
eficaz e profícuo no combate à desinformação, e isso passa por ensinar os
comportamentos
” que as pessoas devem adotar quando se deparam com
diferentes tipos de informação, explicitou o coordenador do CNCS.

Lino Santos considerou que é importante que as pessoas
percebam que, “quando um cabeçalho
é bombástico e apela a algumas emoções, devem cruzar imediatamente [essa
informação] com outras fontes
“.
Navegar na internet também é saber distinguir “notícias” com um “jornalista por detrás, um corpo editorial
por detrás
“, de uma fonte que “não tem qualquer tipo de referência, nem é assinada“.
Em consonância com o coordenador da CNCS, o diretor de
Inovação e Novos Projetos da Lusa, Pedro Camacho, disse que este curso vai
ajudar as pessoas a distinguir
informação jornalística do resto da informação
” que circula nas redes
sociais, blogues e em vários `sites`.
Pedro Camacho sublinhou que também é importante que os
cibernautas entendam que “muitas
vezes são cúmplices
” da difusão da desinformação.
Cada vez que
fazem um `like`, cada vez que fazem uma partilha [de um conteúdo falso], vão
contribuir para a disseminação dessa informação
” que carece de factos,
explicou.
Por essa razão, este curso `online` permitirá às pessoas
perceberem se essa informação é
uma informação credível, que está assente em fontes credíveis e que está
assente em dados, ou se é simplesmente uma opinião de alguém, até pode muito
legitimamente estar a dar uma opinião, mas é uma opinião, não é uma notícia
“.
As ferramentas e os exemplos que vão estar explícitos na
formação também vão permitir perceber as intenções e os “objetivos políticos” que podem
estar por detrás de uma `fake news` que foi difundida milhares de vezes.
O diretor de Inovação da agência de notícias portuguesa
recordou a utilização da desinformação para manipular as eleições presidenciais
norte-americanas, ou o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União
Europeia, em 2016.
Numa altura em que várias figuras próximas do Presidente do
Brasil, Jair Bolsonaro, estão a ser investigadas pela alegada difusão de `fake
news` contra magistrados do Supremo Tribunal Federal (SFT) nas redes
sociais, é importante que os cidadãos entendam que, enquanto navegam pelo `caos
da internet`, poderão estar a ser alvo de manipulação.