ILUSTRES [DES]CONHECIDOS – José Pedro Henriques (1869-1911)

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Edifício centenário onde funcionou a fábrica de José Pedro Henriques

José Pedro Henriques nasceu em Travanca do Mondego , no dia 5 de Janeiro de 1869. Filho de José Pedro Júnior, proprietário e negociante, natural da Portela, e de Maria de Oliveira Henriques, moradores no lugar do Paço. Neto paterno de José Pedro Sénior e de Maria Cecília e neto materno de José Henriques e Joana Maria de Oliveira, foi baptizado em Travanca no dia 20 de Janeiro, tendo como padrinho o Dr. David da Silva.

Ainda jovem, emigrou para o Brasil, como tantos outros dos seus conterrâneos e familiares. Ali residiu alguns anos e adquiriu alguns bens de fortuna, vindo no seu regresso fixar-se em Penacova, onde fundou uma importante fábrica de palitos, conservas de legumes, frutas e azeitonas, que em larga escala exportava para o estrangeiro e diferentes pontos do país.

Em Penacova, virá a casar com Maria Augusta de Carvalho, irmã do “abastado capitalista” Joaquim Augusto de Carvalho.

Foi nas instalações da sua fábrica em Penacova que, em 1908, um grupo de republicanos se reuniram para constituir a primeira Comissão Republicana no concelho. Da mesma, fez parte desde a primeira hora e quando chegou a notícia da Implantação da República, acompanhado de Rodolfo Pedro da Silva e Amândio Cabral, percorreu vila convidando as pessoas para aclamarem a República no Largo Alberto Leitão.

“Foi um dos primeiros em Penacova, onde então mandava uma família privilegiada, que se atreveu a dizer alto que era republicano; e quando algum adversário político – que ao tempo, eram quase todos – procurava convencê-lo de que era loucura ser republicano numa terra em que todos eram monárquicos, o nosso querido e desditoso amigo tinha sempre pronta uma resposta cáustica que fazia calar o seu contendor.” – escreveu o Jornal de Penacova.

José Pedro Henriques, além de sócio do Centro Republicano de Penacova, pertenceu também ao grémio Revolução. A seguir ao 5 de Outubro, fez parte da Comissão Administrativa Republicana e assumiu as funções de vice-presidente do Centro Democrático António José de Almeida.

Morreu muito novo, com apenas 42 anos de idade, no dia 17 de Outubro de 1911, “depois de longos dias de horroroso sofrimento”, noticiou o Jornal de Penacova, tendo os seus restos mortais ficado no jazigo da família Carvalho no cemitério da Eirinha.