PREVENÇÃO – Penacova aposta numa rede de anéis de segurança contra incêndios nas aldeias

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O município de Penacova vai investir 40 mil euros por ano na criação de uma rede de anéis de segurança para proteger as aldeias dos fogos florestais na próxima década, anunciou hoje a autarquia.


No âmbito do projeto “Melhor ordenamento, menos risco”, foi já concluída uma experiência piloto em redor do lugar de Sanguinho, freguesia de Penacova, informa em comunicado a Câmara Municipal, presidida por Humberto Oliveira.
Agora que o anel do Sanguinho está terminado, avançamos para a freguesia do Carvalho. Demos o primeiro passo, mas este é um trabalho que não tem fim, não tem prazo”, afirma o autarca do PS, citado na nota, a propósito da apresentação da iniciativa, na quinta-feira, na presença de representantes de diversas entidades.
Este projeto local de segurança contra incêndios, tirando partido das vias florestais existentes, foi desenvolvido pelo Serviço Municipal de Proteção Civil e conta com o envolvimento dos Bombeiros Voluntários e juntas de freguesia de Penacova, no distrito de Coimbra.
Fizemos previsões de custos a 10 anos, mas eu diria que daqui a 100 quem cá estiver continuará a fazer anéis de segurança nas nossas aldeias e a mantê-los”, refere Humberto Oliveira, indicando que o projeto avança com “recursos humanos do município e máquinas alocadas” à Associação de Desenvolvimento Regional da Serra do Açor (ADESA), o que se traduz num investimento anual na ordem dos 40 mil euros.
Na apresentação, em Sanguinho, Humberto Oliveira salientou “a necessidade imperiosa de reconversão da floresta”, tendo lamentado as perdas materiais e de vidas humanas que os incêndios de 2017 “acarretaram para as populações do concelho” e da região Centro.
Além da criação e manutenção dos anéis de segurança, o projeto “Melhor ordenamento, menos risco” contempla a aprovação de um “regulamento de apoio aos proprietários de terrenos localizados dentro das faixas de gestão de combustível, que prevê o abate das espécies existentes”, e a preparação dessas parcelas para acolherem espécies autóctones resistentes ao fogo.
O nosso objetivo é trabalhar em parceria com os proprietários dos terrenos, permitindo-lhes valorizar as suas propriedades, geri-las de acordo com a legislação em vigor, mas obter também algum benefício que permita alavancar a economia rural”, defendeu o presidente da Câmara.
Para Vasco Morais, da Proteção Civil do concelho, o projeto passa por “dar coerência à rede de caminhos florestais existentes, melhorar as acessibilidades, aumentar a segurança no teatro de operações para operacionais e para as populações, e reconverter a floresta dentro dos anéis”, que estarão sinalizados.
Por sua vez, o comandante dos Bombeiros de Penacova, António Simões, disse que o projeto traduz uma estratégia do município que importa “ver replicada em muitas outras localidades”, além de Sanguinho.
António Simões recordou o violento incêndio que assolou a zona, em 2013, e no qual a instituição que dirige perdeu quatro viaturas.
A sessão teve também a presença de representantes da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), GNR, ADESA e Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, entre outras entidades.