CIÊNCIA VIVA – O céu de julho de 2020

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No primeiro sábado de julho (dia 4) a Terra atingiu o ponto
da sua órbita mais afastado do Sol: o afélio. A Terra não é o único planeta a
atingir o seu afélio neste mês: o mesmo sucederá com Vénus no dia 10. Mas no
caso de Vénus esta efeméride é bastante mais comum, repetindo-se a cada 224,7
dias.
Ainda neste fim de semana teremos a Lua Cheia na madrugada
do dia 5. Tal como sucedeu no passado dia 21 de junho, o alinhamento entre o
Sol a Terra e a Lua dará lugar a um eclipse. Neste caso como a Terra é astro que
está pelo meio o eclipse será lunar. Mas como a Lua estará algo mais acima do
plano orbita terrestre (ou plano da eclíptica) do que esteve duas semanas
antes, o nosso satélite natural apenas ira passar pela penumbra terrestre (zona
da sombra onde o Sol é apenas parcialmente bloqueado) parecendo-nos apenas um
pouco mais escura do que é habitual. Este será o que se chama de eclipse
penumbral.
A terminar este fim de semana, entre o início da noite de
dia 5 e o final da madrugada de dia 6, podemos ver como a Lua se desloca da
proximidade de Júpiter até ao lado de Saturno.
Na noite do sábado seguinte (dia 11) a Lua já estará junto
ao planeta Marte. No final desse fim de semana, já na madrugada de dia 13,
teremos ainda o quarto minguante.
Um dia depois do quarto minguante o planeta Júpiter estará
em oposição, i.e., a direção diametralmente oposta à do Sol. Assim este planeta
encontrar-se-á mais próximo de nós o que é habitual apresentando o seu lado
virado para nós completamente iluminado. Por estes dois motivos Júpiter
parecer-nos-á mais brilhante do que de costume.
Na madrugada de dia 17 a Lua terá chegado ao pé de Vénus e
de Aldebarã, o olho da constelação do Touro. Duas madrugadas depois a Lua
ter-se-á deslocado até junto de Mercúrio. Este planeta atinge o seu maior
afastamento (ou elongação) a oeste relativamente ao Sol na madrugada de dia 22.
Entretanto no dia 20 dar-se-á a Lua Nova. Mas nesta altura a
Lua já estará tão acima do plano da eclíptica que não dará lugar a eclipse
algum. Neste mesmo dia será a vez de Saturno estar em oposição.
Dia 27 teremos o quarto crescente, uma excelente ocasião
para se observar a Lua ao anoitecer. Esta efeméride coincide com o pico da
atividade da chuva de estrelas delta Aquáridas. Pequenas rochas e poeiras que o
cometa 96P/Machholz perdeu ao longo do seu trajeto, as quais parecem surgir
duma região do céu próxima da estrela Delta da constelação do Aquário. Alguns
destes meteoros poderão ser vistos durante boa parte do mês, mas nunca chegarão
à dezena e meia de meteoros por hora que seriam visíveis no máximo de atividade
sob condições de observação ideais.
Para finalizar este mês de eventos astronómicos no dia 30
realizar-se-ão as comemorações do Dia do Asteroide conjuntamente em Portugal e
Angola. Devido à pandemia que nos assola este evento será realizado pela
internet, um mês depois daquela que é a data habitual.
Boas observações!
Fernando J. G. Pinheiro (CITEUC)

Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva
Figura 1: Céu a sudeste às 2 horas da madrugada de dia 6.
Igualmente é visível a posição da Lua na madrugada de dia 12 e o radiante da
chuva de estrelas Delta Aquaridas.
Figura 2: Céu a sudeste pelas 5 horas da madrugada de dia
22. Igualmente é visível a posição de Marte no dia 12; de Mercúrio e Vénus no
dia 17 e da Lua nos dias 12, 17 e 19.