ILUSTRES [DES]CONHECIDOS – André Velho (Lorvão, ? – Coimbra, 1616)

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Oficina de Ourives
(Imagem:newgreenfil.com )
Não se conhecem muitos pormenores da vida deste lorvanense, filho
de Inácio Dias e de Maria Fernandes, nascido em data que não conseguimos apurar,
na década de oitenta do séc. XVI. Sabe-se que viveu em Coimbra e casou em 23 de Abril de 1607 com
Antónia Vaz, de quem teve 3 filhos: Manuel (1608), Maria (1613) e Ana (1615).

André Velho pertenceu à elite dos ourives de Coimbra. Na
época, a cidade afirmou-se como importante centro de ourivesaria, sendo fornecedor
da Universidade e de muitas Igrejas espalhadas pelo país e também de
importantes mosteiros como o de Santa Clara e Santa Cruz, num período em que o
culto passava muito pela ostentação e pela riqueza.

Geralmente o ofício de ourives de ouro era distinto do ofício
de ourives de prata. Cada um trabalhava e comercializava um ou outro dos metais
preciosos, mas nunca os dois em simultâneo.

Ora, André Velho, terá sido dos primeiros artífices a obter
Carta de Ourives de Ouro e de Prata na cidade de Coimbra, concedida no dia 16
de Janeiro de 1604. Note-se que os ourives eram profissionais de alta qualidade
e trabalhavam para uma clientela muito exigente. Requeria-se do ourives grande
seriedade e honestidade profissional.

André Velho terá correspondido a esses requisitos, tendo a
honra de ser sepultado na Capela de Santo Elói edificada na Igreja de São Tiago
(a primeira ao entrar pela porta principal) pelos ourives da freguesia. Morreu
a 14 de Novembro de 1616.  

Fonte: J.M. Teixeira de Carvalho, Ourives de Coimbra. 1922