Ilustres (Des)Conhecidos – António Maria Ferreira Soares (1858-1935)

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António Maria Ferreira Soares nasceu no dia 9 de Dezembro de 1858 na Figueira da Foz.

Filho de Belisário José Ferreira, natural daquela cidade e funcionário da Alfândega, e de Francisca da Conceição Soares, natural do Louriçal.

Casou em Gondelim com Inês Oliveira Coimbra, natural de Monte Redondo. Foram seus filhos Aristides Coimbra Ferreira Soares e Isaura Soares Coimbra (que casou em Friúmes com Alípio Rodrigues Coimbra).

Bisavô de Artur Coimbra de Penacova e de António Coimbra de Monte Redondo.

Fez a instrução primária na Figueira da Foz e aos treze anos foi para Soure como ajudante do Cartório do Escrivão Brandão, em casa de quem esteve hospedado.

Naquela vila e naquelas funcões permaneceu até aos 18 anos, quando decidiu assentar praça no batalhão de Caçadores 5  em Lisboa, ascendendo ao posto de 2º Sargento. A lei permitia que se pedisse licença para estudos e aproveitando essa faculdade veio estudar para Coimbra, com o apoio do “modesto soldo” de um 2º Sargento. Foi nesta cidade que começou a sua relação com Penacova ao conhecer um grupo de estudantes penacovenses. No Bairro de Santa Teresa, no Cidral, viveu com Alípio Barbosa, Artur Leitão, Augusto Coimbra e José Albino Ferreira. Tornando-se amigos, coabitaram em regime de República entre 1882 e 1885.

Nesse ano foi publicada uma reforma dos serviços do Exército, impondo um limite de idade para a inscrição na Escola do Exército. Com isto, Ferreira Soares viu-se impedido de seguir a carreira militar e por falta de recursos teve de interromper os estudos.

Foi então que o grupo de amigos de Penacova o incentivaram a fazer o exame para professor primário e de seguida concorrer à regência da escola complementar que se perspectivava ser criada em Penacova.  Foi por  iniciativa do Presidente da Câmara José António de Almeida (pai de António José de Almeida) que tal se concretizou e ao mesmo  tempo  concedida a aposentação por limite de idade ao, até aí professor na vila, Padre Guedes. Mas enquanto não se formalizou a criação da escola complementar em Penacova, o agora Professor António Maria Ferreira Soares foi reger interinamente a escola de instrução primária de Gondelim, também há pouco criada. Aí conheceu a futura esposa e passado algum tempo, depois de casados, foram viver para Penacova onde passou a leccionar.

Entre Gondelim e Lorvão não havia qualquer escola e a Penacova acorriam alunos de Carvalhal de Mançores e até de Chelo e Rebordosa, sendo as turmas muitas vezes constituídas por 120 alunos! Foram seus discípulos os futuros Juízes Mário Duque, Raul Duque e Henrique Serra Cardoso.

Consta que Ferreira Soares tinha também especiais aptidões para a arquitectura e a construção civil. Terá sido ele a desenhar e a acompanhar a construção da “Vila Guedes”,  da casa de Joaquim Carvalho  (Quinta de Santo António, futura Casa de Repouso), da casa do Conselheiro Sereno (casa actual do bisneto de António Maria,  Artur Coimbra) e  ainda da casa do Dr. Augusto Correia Leitão.

A integridade de carácter – refere o Notícias de Penacova de 1935 –  e os conhecimentos adquiridos em Soure no Cartório do Dr. Brandão, permitiram que fosse escolhido para 1º Substituto do Juiz de Direito da Comarca de Penacova. Naquele tempo os magistrados preferiam residir em Coimbra e dado que o Juíz efectivo tinha “absoluta confiança” no seu substituto, António Maria Ferreira Soares, tornou-se, na prática, o Juíz da Comarca, “revelando sempre muito zelo e competência no exercício do cargo”.

Militou no Partido Progressista, liderado pela família Leitão, “merecendo sempre a estima e consideração” dos adversários políticos”.

Com o advento da República foi criada a Escola Primária de Monte Redondo, sendo o seu primeiro professor, onde se manteve até à data da aposentação.

Retirou-se da vida pública dedicando-se à administração das suas propriedades e ao apoio a filhos e netos a quem legou um “nome respeitabilíssimo”, de acordo com a nota biográfica publicada no “Notícias de Penacova”.

Faleceu no dia 11 de Agosto de 1935, quando se encontrava de férias na terra natal, vitimado por uma pneumonia.

David Gonçalves de Almeida


Fontes: jornal “Notícias de Penacova”, Registos Paroquiais de S. Julião da Figueira da Foz; foto gentilmente cedida por António Coimbra (bisneto) e esposa D. Lúcia.