Misericórdias duplicam apoio alimentar no distrito de Coimbra

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Desde o início da pandemia, o número de pessoas com ajuda alimentar diária das Misericórdias duplicou, no distrito de Coimbra. Hoje, são cerca de cinco mil os beneficiários do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas (PO APMC).

Misericórdias duplicam apoio alimentar no distrito de Coimbra

O número foi adiantado por António Sérgio, presidente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), que, ao jornal, alertou para a agudização das assimetrias sociais e para a “difícil situação financeira” por que passam muitas pessoas. A crise causada pela covid-19, lamenta o responsável, agravou – “e de que maneira” – as carências, refletindo-se na quantidade de solicitações que vão chegando, todos os dias, à instituição.

Bernardo Neto Parra – Diário As Beiras

“Sentimos o aumento das dificuldades no dia-a-dia. As comunidades locais foram bastante afetadas pela pandemia e o terceiro setor tem tido um papel preponderante neste campo das sociais”, explica António Sérgio.

Por isso, prossegue, “é difícil não elogiar o trabalho que tem sido feito e o papel assumido” pela instituição que representa. O empenho e dedicação dos funcionários foram bastante enfatizados pelo líder distrital, que não se cansou de elogiar a postura dos profissionais no apoio aos utentes, “muitas vezes com prejuízo pessoal”.

Apreensão quanto ao futuro mais próximo

O futuro, porém, causa alguma apreensão. O regresso às aulas e os efeitos do aumento do fluxo de pessoas durante o período de férias está a preocupar António Sérgio, que garante “uma resposta pronta” a todos os desafios que possam surgir.

“Continuaremos a defender as comunidades e os nossos utentes com o mesmo empenho e dedicação. Posso garantir o sentido de missão nunca cairá por terra, mesmo que venha aí uma segunda vaga”, afirmou, acrescentando que os planos de contingência serão “aperfeiçoados sempre que se justificar”.

“Grande mágoa”

O responsável fez, ainda, questão de expressar o seu repúdio pelo “ataque que tem sido feito ao setor social”. “Encaramos com grande mágoa alguns discursos na opinião pública que põem em causa a importância de instituições como a Misericórdia. Trata-se de uma tentativa de denegrir a nossa história e o nosso papel na comunidade, protagonizada por pessoas que não conhecem minimamente a realidade do terceiro setor, que não fazem ideia do que falam”, frisa.

Zero casos de covid-19 nos lares das Misericórdias no distrito

Zero casos de contágio, zero mortes por covid-19. Quase seis meses após o início da pandemia, é este o balanço nos lares das Misericórdias do distrito de Coimbra.

Os dados são, inequivocamente, positivos e a satisfação está bem expressa no discurso de António Sérgio. Para o presidente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), a rápida resposta da organização “foi fundamental” para este sucesso, já que, em muitos casos, foram “além das medidas da Direção Geral da Saúde”.

“Até à data as Misericórdias têm estado à altura dos desafios. Todas as direções fazem um trabalho em articulação e os funcionários têm sido incansáveis. Encerrámos as visitas aos lares antes da determinação da própria DGS, em muitas respostas houve um confinamento total, em que os funcionários fi cavam a viver nos sítios em que trabalham. Foi extraordinário e é evidente que só podemos estar satisfeitos com este trabalho no combate à pandemia”, reforça.

Os únicos casos registados na instituição aconteceram na Unidade de Cuidados Continuados da Misericórdia de Tábua, onde foram infetadas cerca de três dezenas de pessoas, entre utentes e funcionários. Daí não resultaram vítimas mortais e, garante António Sérgio, “todas as pessoas contagiadas já estão recuperadas”