Afinal, quem é que desqualifica “a política”?

0
500

Luís Pais AmantePartimos, nesta nossa Reflexão, do facto de o livro de Platão traduzido como “A República” ser, no seu original, intitulado Politeía e, também, no facto de Aristóteles ter escrito que (…) o homem é, naturalmente, um animal político (…).

Politeía, no grego antigo, abrangia os procedimentos relativos à Pólis (ou cidade-Estado); por extensão significava, para além disso, também, procedimentos com a sociedade, com a comunidade e com a colectividade.

É assumido por mim -tanto em resultado da  minha formação, como no meu ideário- que exercer política é assumir responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência.

A actividade política só se justifica se for levada a efeito pelos profissionais dessa nobre profissão, buscando, nas suas ações, a conquista do poder, naturalmente, mas para garantia do bem público, uma vez que, respeitar a ética significa defender o bem comum e o bem estar da sociedade, sem preocupação com o exercício banal do poder ou com o atingir de estatuto mais ou menos elevado.

Platão (filósofo grego que escreveu sobre amor, amizade, política e justiça) nasceu em 427 a.C; Aristóteles (filósofo grego que estudou e desenvolveu a ética) nasceu em 384 a.C..

E porquê esta pequena introdução?

Inexoravelmente para concluir que os ensinamentos daqueles dois expoentes da filosofia, da ética e da política ainda se mantêm actuais.

Infelizmente para constatar que o mundo -no que concerne aos conceitos- pouco evoluiu em 2.500 anos, o que se me configura dramático…

Existe muito a tendência para se dizer mal dos políticos, é um facto!

Existe muito mais a prática, por estes, de perderem a noção de que são eles -que têm por missão ser votados, em exercício democrático- que têm por obrigação ilidir a realidade acima!

 Ou não será assim e sou eu que estou enganado?

Tudo isto para trazer à nossa discussão um corolário essencial, qual seja o de que são, efectivamente, os políticos que devem, em primeira linha, qualificar a política, no sentido de a engrandecer, porque é dela que se servem para se afirmarem e é dela que vivem!

Aliás, sejamos justos, isto mesmo acontece, ainda, com muitos deles…

Se assim é, vejamos exemplos práticos e recentes:

– qualifica a política termos os partidos -todos eles- a continuar as suas guerrilhas estéreis no tempo que estamos a viver, como se estivéssemos num tempo normal?

– qualifica a política ter que se entrar em dramatização absurda para sensibilizar os parceiros seleccionados (compagnons de route)?

– qualifica a política exercer pressão e procurar “ganhos insensatos” numa situação lastimosa em que todos nos encontramos?

– qualifica a política demonstrar por actos que a nossa sociedade está dividida -e vai ficar ainda mais- entre funcionários públicos e trabalhadores do sector privado?

– qualifica a política querer aplicar, esbanjando, as subvenções de Bruxelas e querer que se saía (já) da União Europeia?

– qualifica a política comemorar acontecimentos (nos moldes em que se têm feito e se vão continuar a fazer), porque a “política não está proibida” e somos quase todos uma cambada de reacionários, até os que não podem fazer nada a não ser ver a vida a desmoronar-se?

– qualifica a política fabricar e manter “guerrilhas” institucionais, distratando outras profissões?

– qualifica a política manter confidenciais -e/ou reservados- dossier’s da Saúde Pública?

– qualifica a política deixar crescer exponencialmente a desgraça e a pobreza e deixar ao Deus dará a nossa “população maior”, que está a morrer como se de tordos se tratassem, sem respeito nem  misericórdia?

Pois eu acho que não; que não qualifica, minimamente;

…  e que a postura adoptada, nas estratégias, dá para estarmos a ficar com a sensação de que os políticos, na sua generalidade, estão a querer fugir das suas responsabilidades, arranjando para tanto as desculpas mais esfarrapadas que possamos imaginar!

Vamos ver…

Luís Pais Amante

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui