Vinharia do Mondego: Verde só na paisagem

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Afinal o que é o vinho verde? Esta questão confunde os consumidores de vinho em Portugal desde há muito tempo. A rubrica de hoje colocará tudo em pratos limpos.

A dúvida surge precisamente pela designação da região, que deve o nome apenas à sua paisagem.

“No vasto território do noroeste de Portugal, um manto verde e exuberante desce das serras, cobre os vales interiores, prolonga-se pelas planícies e estende-se até o mar (…) No horizonte mais vasto da paisagem, o verde impõe-se como a marca maior da identidade de toda a região”

Manuel Carvalho, autor de “As cores do Vinho Verde”

A Região Demarcada dos Vinhos Verdes estende-se por todo o noroeste do país, na zona conhecida como Entre-Douro-e-Minho, sendo a maior região vinícola em Portugal. Divide-se em 9 sub-regiões: Monção e Melgaço, Lima, Ave, Cávado, Baião, Amarante, Basto, Paiva e Sousa. As principais castas brancas são: Alvarinho, Pedernã (Arinto), Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura; as principais castas tintas são: Alvarelhão, Amaral, Borraçal, Espadeiro, Padeiro, Pedral, Rabo de Anho e Vinhão (Sousão).

Vinho Verde é, essencialmente, uma Denominação de Origem. Para beneficiar dela, os produtos vitivinícolas estão sujeitos a um controlo das várias fases do processo de produção, desde a vinha ao copo. As castas utilizadas, os métodos de vinificação e as características organoléticas são alguns dos elementos cujo controlo permite a atribuição desta Denominação de Origem. Esta é empregue não só a vinhos brancos, mas também a espumantes, tintos, rosés, aguardentes vínicas e bagaceiras e ainda a vinagre! Para os vinhos que não cumpram os requisitos, é atribuída a designação “Vinho regional Minho”. Por exemplo, um vinho produzido na região com a casta Chardonnay, terá esta designação.

Portanto, fazer a separação entre vinho verde e vinho maduro é, no mínimo, absurdo. Não se faz vinho com uvas verdes! Todo o vinho é produzido com uvas no seu melhor ponto de maturação, ou, pelo menos, é isso que os produtores e enólogos almejam. Claro que as uvas produzidas nesta região têm, regra geral, maior acidez que as demais no resto do país. Isso deve-se precisamente às castas, tipologia dos solos e influência do mar.

Dizer que são vinhos para se beber “do ano” e sem capacidade de evolução, é outro chavão que está desatualizado. Há vários exemplos de monovarietais da casta Alvarinho da Quinta de Soalheiro (Monção e Melgaço) ou até mesmo Loureiro da Quinta do Ameal (Lima) que se mostram belíssimos com o passar dos anos. Experimente e tire as suas próprias conclusões.

Ricardo Ferreira

Ricardo Ferreira é um jovem escanção, natural de Penacova, e atualmente é responsável pela carta de vinhos do Rossio Gastrobar do Altis Avenida.