Quarta-feira, Outubro 28, 2020
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Equipa de Coimbra participa em ensaio clínico mundial sobre novo tratamento para a esclerose múltipla pediátrica

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Uma equipa de Coimbra está a participar num ensaio clínico mundial sobre um novo tratamento para a esclerose múltipla pediátrica, considerado muito importante dada a escassez de opções terapêuticas para esta faixa etária.

Filipe Palavra, neurologista pediátrico e docente da Universidade de Coimbra

Os resultados da primeira fase do ensaio “revelam que o fármaco teriflunomida, administrado por via oral, é eficaz e seguro no tratamento da esclerose múltipla em idade pediátrica”, avançou hoje a Universidade de Coimbra.

Iniciado em 2016, o estudo envolve 166 crianças (que estavam em 59 instituições de saúde, de 23 países) e pretende avaliar a eficácia e a segurança do fármaco na fase inicial da doença.

Em Portugal, o ensaio clínico – denominado Terikids – está a decorrer no Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e é liderado pelo neurologista pediátrico e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Filipe Palavra.

Segundo Filipe Palavra, os resultados mostram “uma redução de aproximadamente 34% do risco de surto clínico nos doentes tratados com teriflunomida, em comparação com o placebo (substância sem efeitos farmacológicos), assim como uma redução significativa (43%) do tempo até se diagnosticar um surto clínico ou se modificar a atitude terapêutica devido ao aumento do número de lesões identificadas por ressonância magnética (RM)”.

Também se verificou que este fármaco “reduziu o número de lesões novas ou de tamanho aumentado, detetadas por RM, em cerca de 55%, e o número de lesões com realce após administração de gadolínio (lesões ativas) em cerca de 75%” e que “a teriflunomida foi bem tolerada pelas crianças e adolescentes que participam no estudo”.

O ensaio clínico prossegue com o objetivo de acumular dados que permitam “conduzir à aprovação formal da utilização da teriflunomida no tratamento de crianças e adolescentes com diagnóstico de esclerose múltipla, no futuro”, explicou o neurologista pediátrico.

De acordo com o especialista, “a investigação clínica em doenças complexas como a esclerose múltipla é um desafio muito grande, apenas exequível porque existem doentes e famílias disponíveis para participar em programas exigentes, de acompanhamento clínico muito assíduo, e também equipas de profissionais motivados”.

A Universidade de Coimbra lembra que “a esclerose múltipla é a mais conhecida das doenças desmielinizantes do sistema nervoso central, caracterizando-se pela destruição da bainha de mielina que envolve os neurónios do cérebro, cerebelo, tronco cerebral, da medula espinhal e do nervo ótico”.

“Estima-se que 05 a 10% dos casos de esclerose múltipla surjam em idade pediátrica, ou seja, antes de completados os 18 anos de idade”, acrescenta.