Vinharia do Mondego: É Barca mas não é serrana

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A Sogrape, empresa detentora da Casa Ferreirinha, lançou na passada semana, aquele que é o mais icónico vinho tinto português, o Barca Velha 2011.

É um vinho que não se faz todos os anos, como os demais. Só em anos de excelente qualidade é que é produzido. Como tal, esta nova edição é a vigésima em 68 anos. Nos anos em que a equipa de enologia, liderada por Luís Sottomayor, considera não haver qualidade suficiente, surge no mercado o “Reserva Especial”. Um vinho de excelente qualidade, mas ao qual faltam alguns atributos para poder ser rotulado com a marca mais conceituada.

O seu lançamento apenas foi anunciado no ano passado, mas já há alguns anos que se previa que 2011 fosse ano de Barca-Velha. Foi neste ano que se produziram alguns dos melhores vinhos do milénio, pelo que é uma referência para os apreciadores de vinho duriense. Este ano ficou também marcado por vários prémios e destaques a nível internacional. Em 2014, a revista WineSpectator fez uma lista dos melhores vinhos do mundo, na qual entraram 3 vinhos do Douro da colheita de 2011 nas primeiras 4 posições. Dow’s Vintage em primeiro, Chryseia tinto em terceiro e Quinta do Vale Meão tinto no quarto lugar.

O Barca-Velha é um símbolo inquestionável da qualidade e da história dos vinhos do Douro. Foi um pioneiro em 1952, na sua primeira edição, numa altura em que o Douro ainda não produzia vinhos tranquilos como nos dias de hoje. Chegou a ter a classificação de “vinho de mesa” e é a base sobre a qual se formou a reputação da Casa Ferreirinha, uma das principais referências dos vinhos portugueses a nível mundial.

Utilizando as castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Roriz, é vinificado na Quinta da Leda, utilizando uvas provenientes da própria quinta e de zonas com maior altitude, no Douro Superior. A fermentação alcoólica ocorreu em cubas de inox, após desengace e esmagamento das uvas. Seguiu-se uma longa maceração, com temperatura controlada, com o objetivo de extrair os compostos que contribuem para a cor, aroma, sabor e longevidade do Barca-Velha. O envelhecimento foi feito em barricas de carvalho francês, durante um período de cerca de 18 meses. Através de provas e análises efetuadas aos diferentes lotes e barricas existentes, o lote final foi elaborado com base na seleção dos melhores vinhos. Engarrafado em maio de 2013, esteve em repouso até agora, tendo sido produzidas cerca de 30 mil unidades.

O preço de venda ao público não foi estipulado pela Sogrape, pelo que para já será uma incógnita. A edição anterior (2008) encontra-se à venda por 685€ em várias garrafeiras, pelo que este 2011 será daí para cima.

Ricardo Ferreira

Ricardo Ferreira é um jovem escanção, natural de Penacova, e atualmente é responsável pela carta de vinhos do Rossio Gastrobar do Altis Avenida.