Vinharia do Mondego – Da terra para o copo

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Terroir é um termo de origem francesa, que representa os vários fatores que influenciam a vinha e a elaboração de um vinho. É uma das palavras mais usadas no mundo do vinho e uma das menos compreendidas, talvez por não ter tradução e muitos a considerarem um mito.

Resumindo, é o conjunto de condições naturais que permitem que uma mesma videira (porta-enxerto + casta) produza uvas com características diferentes, dependendo do local onde se encontra plantada, originando, por consequência, vinhos também diferentes. São estas condições naturais que determinam a originalidade das uvas e dos vinhos por elas produzidos, impossíveis de replicar noutro qualquer local com condições diferentes. Portanto, um determinado terroir consegue transferir para o vinho um gosto único e próprio.

O conceito de terroir pode ser resumindo em vários fatores como o solo, o clima, as castas e a geografia do terreno. Todos são necessários para definir o terroir, mas há ainda um quinto elemento de extrema importância: o homem. O fator humano é indiscutivelmente uma variável muito importante na conceção do termo e um dos seus pilares. O homem tem como função ajudar a natureza a exprimir as suas melhores qualidades. Mesmo com um terroir de excelência, um mau produtor pode não conseguir fazer um bom vinho. O terroir só pode ser entendido quando todos os fatores que o compõem são tidos em conta. Considera-se que o conhecimento e a habilidade do produtor ao cultivar cada pedaço de terra é um fator tão importante quanto os agentes naturais. Pode-se resumir como o melhor da natureza alavancado pelo melhor do homem.

Algumas pesquisas sugerem também que os fungos e as bactérias encontrados na película da uva, incluindo as leveduras indígenas que desempenham um papel fulcral na fermentação espontânea, podem também contribuir para a composição do terroir. Isso significa que cada vinho tem um indicador biológico da sua origem e até mesmo do ano em que foi produzido.

Cada pedaço de terra possui o seu próprio terroir. É possível que numa mesma região se encontrem vários terroirs diferentes. Um exemplo clássico disso são os vinhos produzidos a partir da casta Chardonnay na Borgonha, em França. Em Chablis, os vinhos são secos com notas minerais e de frutas cítricas. Por outro lado, em Côte de Beaune o resultado é um vinho mais encorpado que apresenta notas de frutas brancas e tropicais. Dois produtos completamente diferentes, mas ambos produzidos com a mesma variedade de uva e em locais muito próximos.

Em Portugal, há vários exemplos de terroirs únicos. Um dos que mais tem expressão na prova é o dos Açores, em que o solo vulcânico e a influência do mar são facilmente reconhecidos no copo, devido aos aromas fumados e elevada salinidade.

Ricardo Ferreira