História(s) mal contada(s) – Como uma certidão de baptismo nos pode induzir em erro

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Quem havia de dizer que um registo de baptismo nos pode enganar! O caso passou-se mesmo comigo. Como sabem, publiquei no dia 5 de Outubro de 2011 o livro “Penacova e a República na Imprensa Local”. Um dos capítulos ocupa-se de personalidades que fazem parte da história da implantação do novo regime no concelho de Penacova.

Entre elas surge Amândio dos Santos Cabral. Na nota biográfica registei a data de nascimento como sendo 2 de Agosto de 1881, com base na consulta dos livros de assentos de baptismo da freguesia de Penacova.

Não sabendo ao certo a data de nascimento, ao procurar por Amândio, filho de Joaquim dos Santos Cabral e de Maria Augusta, apareceu-nos, no ano de 1881, um registo que tudo levaria a crer ser daquela pessoa. Assim, não seria preciso pesquisar mais! Erro meu, reconheço. Verifico agora que também num site de genealogia alguém caiu no mesmo erro.

A propósito de Amândio Cabral, recebi certo dia o seguinte e-mail, vindo do Brasil: “Cheguei a seu contato através de seu blog de Penacova. Estamos buscando a história de nossa família. Tudo iniciou com uma dúvida de meu filho sobre nossos antepassados. E agora, esse também se tornou muito importante para nós. Meu bisavô foi Amândio dos Santos Cabral, sei que trabalhou em um jornal em Penacova (Jornalista). Meu avô foi Joaquim de Moraes Cabral (Filho de Amândio). Caso tenha mais informações sobre ele, poderia compartilhar? Estamos planejando uma viagem a Portugal para o próximo ano e seria muito gratificante resgatar nossas raízes.”

Depois de ter respondido, enviando o referido livro,  e na sequência de diversas mensagens trocadas, solicitei a confirmação da data de falecimento. Na resposta, juntamente com esse dado, recebo a informação de que, afinal, nascera a 3 de Maio de 1884!

Em 1884 e não em 1881? Intrigante! Voltei a consultar o livro de registos e, de facto, confirmava-se! O que tinha acontecido? É que o “Amândio” – nascido em 1881 – morreu bebé, com um mês de vida, como acabei por comprovar nos registos de óbito. Passados três anos, o casal volta a ter um rapaz  a quem deram o mesmo nome de Amândio, convidando, inclusivé, as mesmas pessoas para padrinhos.

Numa 2ª edição do livro, prometemos a devida correcção. É assim: a História, as histórias, estão muitas vezes mal contadas, não por má-fé, mas simplesmente porque as fontes orais – e mesmo as escritas – são susceptíveis de ser mal interpretadas ou de nos induzirem em erro. Foi o caso.

David G. Almeida