Ilustres (Des)conhecidos: Manuel Veiga Tomé (1947-2012)

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Manuel Veiga Tomé, filho de Maria da Piedade Madeira Tomé, nasceu na Rebordosa no dia 15 de Novembro de 1947.

Manuel Tomé – Rebordosa. Foto de Jornal de Penacova

Frequentou a Escola Primária da localidade e o Colégio Nossa Senhora da Esperança, em Penacova, onde  fez a formação liceal, tendo como professor, entre outros, o Dr. Homero Pimentel.

Na Escola do Magistério Primário de Coimbra conclui o Curso de Professor do Ensino Primário, assim designado na época. Começou a lecionar em 1974, aposentando-se ao fim de 30 anos de serviço.

Sensível aos grandes problemas sociais e ambientais desde muito jovem, cedo se envolveu na luta por causas diversas, quer na sua freguesia – Lorvão – quer no seu concelho, passando também pelo concelho de Pampilhosa da Serra onde foi professor durante alguns anos. Com o advento do 25 de Abril, tornou-se militante comunista. O ambiente, a educação, a saúde e a justiça social foram campos em que a sua intervenção se centrou. Mais tarde, foi também um crítico activo das deficiências do IP3, geradoras de muitos acidentes mortais, e um defensor do património lorvanense.

Em 4 de Julho de 1990, aquando da Presidência aberta de Mário Soares, foi de suas mãos  que o Presidente da República recebeu um abaixo-assinado reivindicando a construção de uma ponte entre a Rebordosa e Louredo, onde se apelava também para o fim da extração, desordenada e muitas vezes criminosa, de grandes quantidades de areia no Mondego.

Foi co-fundador do movimento “Amigos do Mondego e Afluentes” (AMA) que tinha como grandes preocupações a construção de escadas de peixe, a exploração desenfreada de areia, a destruição das margens, a construção exagerada de açudes e a poluição fluvial.

Foi candidato a Presidente da Câmara, pela CDU, em 1989 e 1993. Em 1989 as restantes listas concorrentes eram encabeçadas por Artur Coimbra, Estácio Flórido e Azougado da Mata. Em 1993 os outros candidatos à presidência da Câmara foram Ralha Ribeiro, Estácio Flórido e Leitão Couto. No ano (1997) em que o candidato à Câmara por aquela coligação foi Manuel Peça, encabeçou a lista da CDU para a Assembleia Municipal, fazendo parte da mesma. Também na Pampilhosa da Serra foi membro da Assembleia Municipal e encabeçou várias listas. Nos últimos anos de vida foi Tesoureiro da Junta de Lorvão.

A Assembleia Municipal de Penacova, na sessão de 23 de Fevereiro de 2013, aprovou por unanimidade uma proposta que defendia a inclusão de Manuel Tomé na toponímia penacovense.

Passados 4 anos sem que nenhuma iniciativa naquele sentido aparecesse, a Assembleia de Freguesia de Lorvão (Dezembro de 2017) aprovou a proposta de ser dado o nome de Manuel Tomé à ponte Rebordosa-Louredo, concluída em 1999. Também circulou uma petição nesse sentido. Cremos que, até ao momento, nada foi feito. Esperemos que não tarde essa justa homenagem.

Vitimado por um aneurisma, faleceu no desempenho das funções de Tesoureiro da Junta de Lorvão, no dia 21 de Fevereiro de 2012, com apenas 64 anos.

Um dos documentos que propunham que a referida ponte se chamasse “Ponte Professor  Manuel Tomé”, sublinha, muito justamente, o seu exemplo “de Homem íntegro” e a sua profunda “dedicação à causa pública”.

David G. Almeida

1 COMENTÁRIO

  1. Conheci o Tomé muito, muito cedo: 1969 por razões que aqui não interessam!
    Tornámo-nos amigos por termos ideais muito próximos e fomos desenvolvendo uma grande estima e consideração mútuas.
    O Tomé, militante culto das causas sociais e fervoroso defensor da sua terra, da sua freguesia, do seu Concelho era uma voz respeitada nas tertúlias políticas do nosso tempo, que eram clandestinas.
    Quando almoçava comigo e com o meu irmão Valdemar, em nossa casa, levava sempre qualquer coisa para a minha Mãe.
    Nunca lhe ouvi um lamento!
    Nunca o vi cobrar nada pela sua dedicação à causa social!
    Nunca soube que tivesse virado a cara a uma qualquer luta ou actividade!
    Como o Tomé não existem muitos casos no nosso Concelho.
    … merece todo o meu respeito e dele me recordo muitas vezes, ainda hoje.
    Obrigado Prof. David G. de Almeida por recordar tão nobre memória.

    Comentário enviado para publicação, pelo Dr. Luís Pais Amante.

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